Nascimento do Vicente – Um parto pós cesárea para ressignificar tudo!

Tá tendo VBAC (Vaginal Birth After Cesarean)  aqui no blog!!! <3

Coisa mais linda de ver, uma mulher forte, empoderada, que foi em busca de conhecimento de qualidade, de profissionais que acreditassem nela e na sua plena capacidade de parir e lindamente pariu! Tendo todos os seus desejos respeitados, tendo o seu tempo para parir respeitado, tendo o seu filho ,Vicente, respeitado!

Cheguei na casa da Fabrícia de madrugada, contrações ritmadas, trabalho de parto à todo vapor, mas entre as contrações ela sorria! Era a realização de um sonho! Seu parto não havia sido roubado, ela finalmente iria parir, e era tanta felicidade por ela poder estar vivendo este momento, poder sentir as contrações, poder sentir seu corpo trabalhando para seu bebê nascer que em vários momentos vinham lágrimas, mas não era de dor, não era de sofrimento algum, era de alegria, de gratidão, de amor que transbordava.

Ficamos em casa até o início da manhã, quando ela pediu para ir para a maternidade e lá fomos nós. Algumas horas se passaram, o cansaço começou a bater forte, sentindo a noite não dormida e ela já não conseguia mais lidar com cansaço extremo e dor ao mesmo tempo, pediu por analgesia, e assim, com uma dose suficiente para que ela pudesse continuar em seu trabalho de parto, movimentando-se e tendo controle do seu corpo, ela seguiu firmemente até o final.

Foi emocionantíssimo poder estar presente no nascimento do Vicente e poder ver a grandeza dessa mulher que é uma fortaleza inteira de tão forte. Em tantos momentos eu olhava pra ela, que seguia firme em seu processo e pensava “Meu Deus, quando for minha vez quero ser forte como ela.” Gratidão imensa por me deixar fazer parte dessa história tão linda e transformadora em sua vida Fabrícia! Você, o Anderson, a Ana e o Vicente estarão para sempre aqui no coração. <3

Segue agora o relato de parto da Fabrícia, pegue o lenço! rsrs

Pari um bebê enorme, após uma cesárea

Tenho uma filha linda de 2 anos que nasceu de uma cesariana totalmente desnecessária e precisou de UTI nos piores 26 dias da minha vida. Teve sete paradas cardíacas, até fomos chamados para nos despedir,nos desenganaram. Mas cremos num Deus do impossível, ela está viva e sem sequelas.

Sempre desejamos dois filhos com idade próxima. E Deus nos presenteou com mais uma gravidez após 1 ano e 3 meses. Aí começou a minha busca por um parto respeitoso, pois precisava escrever uma história diferente no segundo nascimento.

 

Não basta querer parir

Sempre quis um parto normal da Ana Carolina, mas não sabia que no país em que vivemos não basta querer algo que deveria ser normal, você precisa muito mais: ler muito, se empoderar, ter dinheiro, se unir com pessoas com o mesmo objetivo. Obrigada PH, de coração. Muitas mulheres entraram e saíram desse grupo de WhatsApp, se cada uma tiver saído com um aprendizado terá valido a pena. Vocês foram uma peça fundamental na realização do meu sonho.

Quando falo sobre parto humanizado não me refiro a parto em casa,na banheira. O parto humanizado que tanto busquei em 40 semanas de gestação,é um parto no qualsou respeitada, meu corpo é respeitado e – principalmente –meu filho é respeitado,  independentemente da via do seu nascimento. Que sua vontade seja respeitada, isso é humanizar. Tive um parto humanizado, muito respeitado, sem estar em casa, dentro da água.

 

Via crucis do plano de saúde

Passei por quatro médicos do plano e NENHUM foi favorável a um parto normal após cesariana recente. Até ouvi que tinha o útero envelhecido, pois com 30 anos não é mais favorável para parto normal (sic) :-0

Não desisti. A cada dia, no grupo, aprendia mais sobre o que o corpo da mulher é capaz. Devorava várias leituras para me empoderar e entender mais do tema. Procurei vários médicos humanizados em Curitiba, mas nenhum atendia meu plano.

 

Plantão? Não!

Bateu um desespero, estava com mais de 20 semanas e não queria parto com plantonista porque vivemos num pais totalmente cesarista e as duas maternidades do plano não eram as melhores em índices de parto normal.

Me indicaram uma obstetra particular com valores que não eram exorbitantes. Na noite anterior à consulta quase não dormi de ansiedade, pois ainda não havia muitos relatos dela.

 

Segundo e terceiro agradecimentos

A Dra. Lara Nahar é um anjo que Deus colocou em minha trajetória.Carioquinha, calma, de um profissionalismo que não tem tamanho. Para ela o meu segundo agradecimento. Sei que fui eu que fiz o meu parto, mas cada pessoa envolvida foi fundamental. A Dra. Lara foi esplêndida, não tenho palavras para agradecer cada minuto acompanhando e cuidando com serenidade de  mim e do Vicente.

Ela perguntou se eu tinha doula, falei que conheci uma. Quando disse quem era seus olhinhos brilharam, ela falou que eu estaria em ótimas mãos. Antes eu não entendia bem a função dessa profissional, mas nessa hora tive a plena certeza que eu precisava de uma. Esse é o meu terceiro agradecimento, a mais um anjo sem asas que esteve comigo durante toda a gestação e foi mais que fundamental no trabalho de parto. Sem ela não teria chegado na metade, e depois do nascimento talvez acontecesse o velório do meu marido,kkkkkk.

Sai da consulta feliz, tudo estava dando certo.

 

Diabetes gestacional?

Minha barriga era muito grande, apesar de não ter ganhado muito peso. Na primeira gestação tive diabetes gestacional e isso era um dos medos na segunda, mesmo sabendo que a DG não é indicação para cesariana. Meu Deus é um Deus de promessas e mais uma vez Ele não me desamparou, os exames deram todos negativos, mesmo com as ecografias mostrando que o peso do Vicente estava acima do normal. Eu não tinha diabetes, era só era um bebê grande, como o papai e a mamãe.

Vejo palpiteiros em toda parte

Chegamos na reta final, 39 semanas. Continuei trabalhando, mas o cansaço incomodavae o peso da minha barriga nem se fala. Tirando as pessoas me perguntando quando ele ia nascer, se ia passar da hora, “se fosse eu já tinha tirado”, entre tantas outras coisas, já estava preparada. Estava tudo bem, só com alguns pródromos (contrações de treinamento).

 

Alerta DPP

Na semana 39 tínhamos o feriado de 07/09 e eu não iria conseguir consultar com a Dra. Lara ou com o médico do plano, que entraria em férias (continuei com ele porque as suas guias eram mais fáceis para liberar os exames). Lara me pediu cardiotocografias nas semanas 39 e 40.

Eu fazia as cardiose mandava para ela, o pequeno estava ótimo. Dia 14/09 era minha DPP (data provável do parto), as 40 semanas. Com a eco desse dia vem  meu quarto agradecimento, ao Dr. André do IMMEF, que me acompanhou em todo pré-natal. Só consultando para saber quem é ele, superhipermega indico! Não trabalha só porque gosta, mas faz um lindo trabalho, com amor.

 

Não era só um sonho

14/09 chegou. Quatro da manhã sonhei que sentia muita cólica, que nunca passava. Acordei e vi que não era sonho, era cólica mesmo,rs. Contrações bem leves, iam e vinham. Resolvi marcar o tempo:10 a 12 minutos, nada muito regulado. Foi assim foi a manhã toda. As 6 horas levantei, fui ao banheiro e perdi um pouco do tampão mucoso.

Contei para meu marido sobre a dor e ele falou: “Será que vai ser hoje?” Respondi um “vamos esperar”. Falei para ele ir trabalhar, qualquer coisa eu ligaria. E senti no meu coração que estava perto de ter meu pequeno nos braços e viver o que era PARIR UM FILHO.

 

Meu corpo dava sinais

Estava muito feliz, meu corpo dava sinais que estava chegando a hora. Meu coração transbordava de alegria, o sonho de parir estava mais próximo!

Meu quinto anjinho (e não menos importante que os outros) estava em casa comigo: minha mamãe. Ela dizia sentir a dor de cada contração, queria pegar aquela dor para ela, pois a feria ver sua filha com dor. Minha guerreira e fortaleza esteve e está comigo sempre, apoiando minhas decisões, mesmo que muitas vezes não concorde com elas. Sempre do meu lado, mostrando que sou capaz.

 

Não é dor, é algo lindo

Quando temos tudo planejado e entendemos que nosso corpo foi feito para parir e sabe parir, sabemos que aquilo não é dor, é o corpo trabalhando para trazer ao mundo seu filho. É uma “dor” linda e com um final feliz.

 

Contração rima com faxinão

Iniciamos o dia normalmente. Toda vez que ia ao banheiro saia mais um pouco do tampão, meu corpo que se preparava. Tomamos café e pensei que se entrasse em trabalho de parto (TP) precisaria estar com a casa limpa.

Lavei a sacada, vidros, banheiro e tirei o pó de tudo com contrações a cada 10 minutos. Eram suportáveis. Quando vinham eu fechava os olhos e minha filha me abraçava e pedia desculpas. Crianças e suas inocências, rs.

Meio dia meu marido veio almoçar. Deixamos a Ana Carolina na escola e fomos para ocardiotoco e a ecografiado IMMEF. As contrações continuavam de 10 à 15 minutos. Não diminuam e nem aumentavam e eu sabia que poderiam ficar assim durante dias.

Meu bebê é GG

Fiz acardiotocografia, estava tudo ótimo e fui fazer a eco com o Dr. André.  Ele sempre é muito atencioso, detalhista e simpático. Esperava ascontrações deque tive durante o exame. Tudo normal com o desenvolvimento do Vicente, mas meu líquido estava acima do normal (não diferente de outras ecografias que estimavam um bebê de 4560kg e 52cm).

Confesso que fiquei um pouco assusta com o tamanho. Não que não pudesse parir um bebê grande, bebês grandes também nascem de parto normal.

Dr. André sabia que eu queria um parto natural e conhecia minha médica. Ele falou que mesmo  que com exames de diabetes negativoso Vicente poderia ser um bebê diabético, pois era macrossômico e eu deveria analisar se realmente tentaria um parto normal nas 40 semanas.

 

Apenas confie

Aquilo foi um balde de água fria, meu coração ficou apertadinho pois o que maisqueremos é o bem do nosso filho. Tive vontade de chorar, mas me mantive firme enquanto sentia mais uma contração. Perguntei qual era o conselho dele. Sem pestanejar, respondeu: “Você está em ótimas mãos, sua médica é excelente, confie de olhos fechados no que decidirem juntas”.

Fiquei tão feliz em ouvir aquilo! Ele prometeu ligar para minha obstetra naquele exato momento e falar o resultado. Nem acreditei que um médico de laboratório faria isso. Com certeza o Dr. André é o melhor médico para exames de imagem em Curitiba.

 

Eu posso parir, sim

Mandei um WhatsApp para a Dra. Lara, que imediatamente respondeu, explicando o que poderia e não poderia acontecer e que a escolha era minha, pois eu poderia parir sim. Confirmei que confiava nela e faríamos o que ela achasse melhor.

Ela prometeu explicar o que estava acontecendo para minha doula. Não passou 10 minutos e a doula me ligou. Seu trabalho intenso começou ali.

 

Alinhando expectativas

Tentei manter a calma, temia que as coisas não saíssem como o planejado, pois só na hora saberemos o que vai acontecer. É difícil desejar muito algo que poderia me frustrar. Com voz serena a doula falou quais seriam os próximos passos, me deixando com plena certeza que tinha feito a escolha certa e que bastava confiar, contava com excelentes profissionais cuidando de mim e do meu príncipe.

 

Avaliando opções

Decidimos que se o TP não evoluísse durante a noite de manhã faríamos o descolamento de placenta, caso o colo do útero estivesse favorável. E se ele não nascesse até o dia 16 iniciaríamos a indução, que no meu caso seria só a ocitocina sintética (sem comprimido de Miso, pois tenho cesárea anterior).

Fiz tudo como minha doula falou: comidinha leve (sopa), escalda pés e massagem do marido, o chá recomendado. Ela me aconselhou a dormir para estar descansada caso entrasse em TP.

 

Vicente nasceria no tempo dele

Apesar das contrações serem razoavelmente fracas, eram longas e eu não tinha como dormir. Minha sogra e cunhado me visitaram, conversamos,  rimos e as contrações ficaram mais forte, mas o tempo não diminuía. Eu tinha certeza que naquela madrugada entraria em TP e não seria preciso descolar placenta ou induzir o parto.Vicente viria ao mundo no tempo dele, no dia e hora que ele quisesse.

Umas 23 horas falei para a doula que iria tentar dormir e ela respondeu: “Vamos descansar,nós duas precisamos. Qualquer coisa me ligue.”

 

O TP começou

Coloquei a Ana para dormir, arrumamos um colchão para minha mãe e eu e Anderson fomos para nosso quarto. Quando a primeira contração veio levantei e quase chorei, pensei como uma mulher é forçada a parir deitada (posição de litotomia), pois a dor é triplicada.

Sentei na bola de pilates e liguei as músicas selecionadas para o TP. Acendi o abajur, meu marido deitou na cama e ali ficamos, as contrações eram irregulares mas cada vez mais longas e fortes.

Apesar da dor, estava feliz

Tentei me conectar com tudo que estava acontecendo em meu corpo. Apesar da dor estava plenamente feliz, pois logo teria meu pequeno nos braços. Meu marido tentava não demostrar que também estava um pouco apreensivo e ansioso. Ficou ao meu lado a todo tempo, me apoiando do jeitinho dele, tentando fazer da melhor forma seu papel de pai e marido.

Meu sexto agradecimento é para o pai dos meu filhos, meu amor. Você sempre soube da minha vontade de parir e ter nosso filho nos braços assim que nascesse, do desejo de levá-lo para casa quando recebêssemos alta para cuidarmosdele juntos em seu primeiro mês de vida, algo que não tivemos a honra de fazer com nossa pequena.

Nos esforçamos para escrever uma história de parto diferente da Aninha, pois só nós sabemos como foram aqueles dias de UTI, longe dela. Você sempre apoiou as minhas escolhas, estudou e se empoderou comigo. No TP não poderia ser diferente, você esteve do meu lado em todo tempo, mostrando que eu podia e estava preparada para aquele momento. Obrigada, meu amor, por acreditar em mim e me ajudar na chegada do nosso segundo filho. Te amo.

 

Lembrava de tudo que ouvi

Comecei a madrugada sentada na bola, era a melhor posição de todo TP. Marido marcava contrações em um aplicativo, tinham o mesmo tempo e duração mas ficavam mais intensas. Eu pensava “Será que vou aguentar isso até  o fim? Se agora está assim, imagina no final?”. E lembrava de frases que sempre li e ouvi: “Toda mulher sabe parir, todo bebê sabe nascer”,“Seu corpo foi feito para isso”, “Seu corpo produz a dor e ele não irá produzir algo que você não  vai suportar”.

Quando resolvi tomar um banho para ver se relaxava e o TP engrenava, duas da manhã, as dores vieram com mais força. Fiquei aflita, ainda não sabia como meu corpo reagiria e se realmente era o TP. Pedi para o Anderson chamar a doula, eu precisava de ajuda.

 

Chegaram os reforços

Três da manhã doula e fotógrafa chegaram. A doula percebeu que meu marido tentava não demonstrar ansiedade e nervosismo, o que me deixava mais nervosa ainda. Com toda calma falou para ele dormir, quea partir dali cuidaria de mim pois ele precisaria estar bem pela manhã.

A tranquilidade que ela transmitia é inexplicável, me acalmava, centrava e dava forças. Fomos para sala, onde minha mãe estava sentada, no cantinho do sofá, observando.Com pouca luz e a playlist tocando, sentei na bola e a doula me ajudou a reconectar.

 

Reconectando

Por meia hora ela precisou me acalmar para o TP evoluir. Começaram as  contrações regulares de 3 em 3 minutos, com duração de 40 a 50 segundos. Tive certeza que estava no processo e tudo fluía muito bem, era muito gostoso e prazeroso. Entre uma contração e outra a gente ria e dançava. Eu estava muito feliz, meu corpo trabalhava perfeitamente, meu filho estaria em meus braços naquele dia e o melhor: no dia que ele queria. Eu e ele iniciamos um sonho juntos.

Seis da manhã a doula pediu para eu tentar dormir para ter força e energia no final do TP. Deitei no colo da minha mãe e tentei descansar, era praticamente a segunda noite sem dormir. Ela me abraçou com uma mão e com a outra segurou minha mão, senti toda a sua energia positiva, o quanto estava torcendo por mim e orando para que tudo fosse como eu queria.

 

Minha bolsa estourou!

Tive uma contração forte, fechei os olhos e na sequência da segunda contração ouvi um estouro. Aaaah, que emoção, como queria que minha bolsa rompesse naturalmente!

Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo comigo, como Deus era bom! Olhei para a doula e falei: ”Minha bolsa estourou!!”. Foi um misto de alegria e emoção de todos daquela sala. Ri e chorei de alegria. Foi lindo. Agora eu tinha mais que certeza que logo teria meu Vicente nos braços e aquilo me dava mais forças para continuar.

 

Doula ou anjo?

As dores aumentavam e espaçavam menos. Fui tomar  banho (banho era o céu, não tinha nada melhor) e as contrações ficaram ainda mais intensas. Resolvemos ir para a maternidade porque eu uivava e às vezes não conseguia lidar com a dor. Ainda bem que tinha um anjo, não uma doula, hehehe, que me acalmava, ajudava  a respirar e me trazia para a terra de novo.

Sai do banho, acordamos o Anderson, minha mãe fez café. Eu queria estar a última vez com minha filha única,  para ela se despedir da barriga e me dar mais força.

Já eram sete da manhã, dia de sol. Aproveitamos o restinho do tempo em casa com a Aninha e com nossas calopsitas. Riamos e brincávamos entre uma contração e outra.

Meu primeiro toque

Queria ficar o maior tempo possível em casa, então pedi uma avalição para ver a dilatação.Acreditem, esse foi o primeiro toque que recebi em toda a gravidez! Isso se chama humanizar, toque não é necessário no pré-natal de gravidez tranquila, com um bom acompanhamento, assim como não é necessário a todo momento no TP.

Quando aenfermeira obstetra chegou eu estava em outro planeta, agitada, deixandotodos tensos. As contrações estavam muito próximas, ela tinha que agir muito rápido e não conseguiu me avaliar com precisão. A pressão sobre ela foi grande, foi a parte drástica e mais engraçada, que não poderia faltar aqui.

 

Dilatando rápido?

Quando ela falou  “Você está com 9 cm” comemorei e pensei: “Pronto, vou ter  parto quiabo, hehehe, esse menino vai nascer no carro.” Ficamos ainda mais agitados e partimos para a maternidade na maior adrenalina. Teve até marido descendo do carro e mandando um caminhão sair do meio da rua porque o filho dele estava nascendo, hahaha.

Chegamos lá umas 8 da manhã. Eu uivava de dor, fui para a pré-avaliação e o médico declarou dilatação de 6 cm. Como 6?!? Se olhar bem a enfermeira não errou muito, o 9 só estava invertido,rs. Foi um baque, mas faz parte. Poderia demorar muito ou poderia evoluir muito bem.

 

Parto respeitoso, por favor

Entramos rápido na maternidade enem perguntaram se eu queria usar a sala humanizada, pois cheguei lá com doula fotógrafa, marido e obstetra a caminho. Era óbvio que queria meu parto com todo respeito que cada mulher deveria ter!

O médico de plantão (Dr. Cecílio, que eu reconheci) me encaminhou direto para a suítepara parto respeitoso (é o nome usado na Maternidade Nossa Senhora de Fátima) . Eu não tinha mais nenhuma noção de tempo, mas acho que em 20 minutos toda a equipe estava lá. Ficamos só nós em todo TP.

Tive um ótimo tratamento na maternidade, perguntaram para a doula se eu queria algo, ela falou para trazerem água. Também ganhei gelatina. Não consegui comer ou beber, as contrações estavam tão próximas que eu só tentava me concentrar e não pensar que meu TP poderia demorar muito.

 

A melhor posição

Tentamos várias posições: cócoras, 4 apoios, cavalinho. Nada era melhor que ficar na bola e chuveiro, penaqueele era fora da suíte e longe (naquela situação uns 10km parachegar lá,rs). Só pingava, eu tinha que ficar caçando as gotas (pontos negativo da maternidade). Mesmo assim, era o melhor lugar.

Por volta de meio dia eu estava enfraquecida, sentia muito sono e cansaço. Dra. Lara pediu para fazer um toque e viu que das oito ao meio dia eu tinha evoluído somente 2 cm e o Vicente estava bem alto.

 

Angústia dos 8 cm

Aquilo travou minha garganta e eu não sabia se teria força para ir até o fim, se meu corpo aguentaria o cansaço. Senti uma profunda angústia. As contrações não paravam de intensificar a dor, eram cada vez mais longas e seguidas.

Por um minuto cheguei a pensar se realmente tinha feito a escolha certa e se meu corpo seria capaz de aguentar, pois eu,Fabricia, não tinha de onde tirar forças. Pedi analgesia pela primeira vez. Chorando falei que não aguentava mais. Era o meu coração lutando com minha razão. Mais uma vez meu anjo, a doula, e o meu marido, me trouxeram para a terra me deram forças. Falaram que eu estava indo muito bem e relembraram de tudo que havíamos conversado sobre os pós e contras da analgesia.

 

O mantra do bem

Respirei fundo, tirei forças sabe Deus de onde, continuei lutando para trazer meu filho ao mundo da forma mais natural possível. Eu iria até onde eu aguentasse.O mantra do bem não parava de passar na minha mente: “Meu corpo está produzindo essa dor, ela não pode ser mais forte que eu”. Assim continuamos por um bem maior.

Dra. Lara e Marcinha (fotógrafa), duas criaturas lindas e imperceptíveis, estavam ali transmitindo muita energia positiva, eram doces e serenas nas poucas vezes que falaram comigo. Deixaram eu agir no meu trabalho de parto.

Preciso continuar

Em alguns momentos eu pensava: “Todos estão aqui para me apoiar, todo esse tempo, eu preciso de força para continuar”.

As horas foram passando, as dores aumentado e a minha energia esgotando.Eu só pensava quanto tempo ainda mais seria capaz de aguentar, eu estava tão cansada que chegava a dormir entre uma contração e outra.

Por volta das 14 horas estava no chuveiro e meu corpo não respondia os meus comandos. Eu não ouvia ninguém e a única coisa que conseguia pensar era que queria meu filho nos braços.

 

Culpa, choro e dor

Eu me culpava, já não me achava capaz de parir. Chorava muito, muito mesmo. Não estava mais sendo prazeroso, a dor era muito forte. Não queria mais ninguém ao meu lado, queira que aquilo chegasse ao fim.Estava de cócoras do chuveiro, tentando diferentes posições para amenizar a dor que parecianão terintervalos.

A Dra. Lara sugeriu um toque. Permiti. Meu Deus, o que foi aquilo?Doeu muito, dei um grito tão alto. Não porque ela fez com força, meu corpo não se permitia mais sentir dor.

 

Sobe e desce do bebê

Ela disse que eu estava com 9 para 10 cm, mas o Vicente ainda estava alto. Me preparei muito para o parto e sabia que poderia demorar. Em cada contração ele descia, mas quando a contração passava ele subia.

Não, eu realmente eu não aguentaria até o fim, a dor já era mais forte que eu.

Embaixo do chuveiro, apoiada no meu marido e na doula, sem força alguma, pedi analgesia pela segunda vez. O cansaço e o sono foram mais fortes que eu. Me senti a pior pessoa do mundo, não foi o que planejei.

 

Não idealize seu parto

Naquela hora tiver a certeza que não podemos idealizar um parto. Temos que nos preparar e só na hora saberemos o que poderá acontecer.

A doula saiu do banheiro e a Dra. Lara solicitou a analgesia. Me ajudaram a me secar, fui para o quarto me culpando muito e me perguntando o porquê não aguentei, me achando muito fraca.

Guardei isso pra mim, queria somente meu filho nos braços. Deitei na maca me preparam para a tão temida injeção. Tive muito medo de perder a mobilidade e não conseguir me mexer, pois queria um parto de cócoras,  que talvez anestesia não me permitisse.

 

Analgesia

Analgesia feita. Três minutos depois sinto uma contração, outra e outra, e eu aindasentia dor. Veio a quarta contração, marido de um lado e doula do outro. Falei que a dor continuava. Foi preciso reaplicá-la, não pegou de primeira. Percebi que não conseguia me mexer e teria meu filho deitada, a última posição que desejava para parir.

Na segunda aplicação eu renasci, hehehe. A dor foi diminuindo, só sentia contrações leves. Agradeci muito, rs. Não era o que eu queria, mas que foi muito bem recebida foi! Vamos lembrar que isso é um parto humanizado,  as minhas escolhas e vontades prevalecerem.

Importância da equipe

Só eu sei o que estava sentindo e até que ponto seria capaz de aguentar. A partir do momento que a dorse tornou mais forte que eu não aguentei mais e tomei sim a analgesia. Hoje sei que isso não me torna mais fraca, só me mostra que mais uma vez tenho a certeza que escolhi bem a minha equipe. Me respeitaram em todo momento e apoiaram todas as minhas decisões, sempre mostrando o que seria melhor para mim e para o Vicente.

 

Período expulsivo

A partir daí foi mais ou menos uma hora e meia de período expulsivo.

Vicente subia durante as contrações por ser um bebê muito grande. Mas com a ajuda da Dra. Lara e muita calma e paciência da equipe, foi descendo. Aquele momento foi se tornando mágico.

Comemoramos cada contração com muita alegria até ele dar sinal que estava chegando a hora de sair datoca e vir conhecer esse mundo louco em que vivemos, onde tem muitas pessoas esperando para recebê-lo.

Meu coração transbordava de alegria! Papai estava tão ansioso que não parava de andar de um lado para outro. Fiquei de cócoras, a posição em que queria parir.

É agora!

Em uma contração muito longa e com muita força, meu pequeno grande homem veio ao mundo. Não consigo descrever tamanha emoção e ver meu filho nascer e poder  pegá-lo no colo no mesmo momento, encostá-lo na minha pele, sentir toda sua garra, pois ele foi forte como a mamãe.

Passamos por mais de 10 horas de bolsa rota, e estávamos ali, curtindo cada segundo. Parecia que não tinha mais ninguém ali, só eu ele e o papai. Aquele momento poderia durar dias.

Não há explicação para a emoção de parir, foi muito amor, muita energia positiva, muito choro e emoção.

Meu menino veio ao mundo às 15h40 do dia 15 de setembro de 2016, pesando 4.160 Kg e medindo 52 cm. Um baita menino e mais um mito quebrado:bebês grandes nascem sim, e nascem da forma mais humanizada possível.

Não teve epsiotomia, tive somente uma laceração porque com a analgesia não sabia se fazia força corretamente. Não precisou de manobra, não precisei parir deitada,só precisamos de muita paciência, amor e uma equipe dedicada.

Meu último agradecimento vai para a melhor fotógrafa, Marcia Kohatsu, uma pessoa iluminada, de um dom que não tem explicação. Ficou comigo em torno de 15 horas, sem sair do meu lado. Ao mesmo tempo invisível e uma pessoa que com um olhar espirtual registrou todo meu trabalho de parto com o maior cuidado e sensibilidade. Marcinha, obrigada! Toda gratidão do mundo a você.

Meu parecer final é:

1°:Não tem emoção maior no mundo que parir seu filho.

2°: Faz apenas dois meses que eu pari e já não lembro da dor. Temos que achar outro nome para descrevê-la, pois dor é uma palavra muito forte para algo tão divino. Sabemos que depois dela receberemos o maior presente do mundo, nosso filho.

3°: Prepare-se, empodere-se, busque ajuda, leia muito e não esqueça: Seu parto é você quem faz, você é seu filho são os protagonistas dessa linda história que vão escrever juntos.

Para curtir melhor as fotos deste parto lindo dê o play:

Equipe:

Obstetra: Lara Barbosa Nahar.

Doula: Sindriani Fonseca.

Fotógrafa: Márcia Kohatsu.

Maternidade Nossa Senhora de Fátima.

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