O nascimento de Júlia – Ela chegou me re-transformando

Nascimento Júlia

E chegamos ao final da primeira parte deste projeto.

Estou muito feliz e me sentindo imensamente grata por cada mulher, por cada família, por cada Serzinho que pude acompanhar neste momento tão especial e crucial que é o nascimento, e também de renascimento.

Foram tantas experiências maravilhosas, de tanto aprendizado e crescimento, que mesmo que eu agradecesse mil vezes ainda não conseguiria traduzir o que sinto.

Cada parto foi desmontando em mim couraças, foi me reconectando comigo mesma, com o sagrado feminino, com a força de ser mulher, com o que há de mais puro e selvagem em nós. É impossível passar incólume por esta experiência que te revira do avesso.

E para fechar o ciclo desta primeira etapa do projeto, está aqui um dos últimos partos do projeto que registrei em 2015, e ele veio rápido, me surpreendendo, e me trazendo muitos presentes. Como conhecer a Adelaine e sua família, agora com as 3 pimpolhas juntinhas, ter a honra e a alegria de poder acompanhar um pouco mais do maravilhoso trabalho da Adelita Gonzáles, enfermeira, parteira e alquimista, que tenho a alegria de poder compartilhar esta vida, como também me lembrar que nunca se sabe o bastante, e que viver assim, como um aprendiz todos os dias, não é uma tarefa fácil, requer presença e abandono do eu, mas te dá um frescor no olhar e no sentir, que te permite encantar-se todos os dias.

Gratidão ao universo pelos caminhos lindos que me leva!

Segue agora o relato encantador da Adelaine:

E ela chegou!

Chegou pra me dizer que quando a gente acha que já está descolada e sabendo tudo que pode vir e que estará preparada…vem uma gorducha de 4, 030kg e 50cm, pra dizer que vc não sabe é de nada!! Que cada parto é único mesmo!!

E assim chegou minha gorducha, minha amorinha, a caçula de 3 irmãs, num parto intenso e rápido, desatando nós, e me retransformando, me reconectando, já que eu, por mim mesma, já não dava conta…

E ela chegou pra dizer , que tudo que eu era, ainda estava lá dentro, mas que tinham se somado mais “eus”, e somado o “nós”! Ela estava aqui, encerrando um ciclo, pra que eu pudesse iniciar outro, ou outros… e estava pra dizer também, que o amor é infinito, que sempre cabe mais um, e que tudo tudo sempre vai valer a pena, quando existir o amor!

O novo amor me acordou de madrugada numa quinta-feira, e com uma febre que deixou meu corpo parecendo que foi triturado! Foi difícil me reaquecer depois das muitas idas ao banheiro durante uma noite fria de inverno curitibano, eu tremia muito! As contrações eram poucas e bem irregulares, nada que alertasse uma mãe, até então “descolada”, porque eu tinha certeza que ela nasceria na semana seguinte, numa bela noite de lua cheia, depois de ter feito o chá de bênçãos no fim de semana!

Vai amanhecendo e mando mensagem pra parteira, minha preocupação na verdade era a febre. Ela pede pra eu descansar, pedir ajuda pra minha mãe ( que bom poder contar com ela nesse momento, como é, e foi importante ter tido essa presença, esse calor, esse afago! e a sopa é claro!), que isso era o corpo colocando “coisas”pra fora, e que se piorasse era pra eu ligar pra homeopata. Foi mais ou menos isso…. e assim meu marido me aqueceu, eu descansei e a febre simplesmente passou, e numa manhã gelada, despertamos, tranquilos e juntos, dando muita risada com coisas no celular, fazia muuuuuito tempo que não ria tanto!!

Liguei pra minha mãe, monitorei mais um pouco as contrações, mas ainda estavam desritmadas. liguei pra minha homeopata, pra falar sobre a febre e tudo o mais que poderia estar no “meio do caminho”de um parto tranquilo. aqui vou precisar puxar essas “coisas no meio do caminho”pra que possamos entender o resto depois…

( Desde muito, muito nova, tinha a certeza de que queria um parto normal, e pensava eu :- “quero sentir a dor do parto!” isso sempre esteve na minha cabeça. Mas não me importava onde nem como, na verdade nem pensava sobre isso, apenas que queria sentir as dores de parir! a dor mais profunda do ser mulher pra mim. E sem planejamento, e como um furacão veio a Luíza, e tive a sorte de chegar em minhas mãos, um nome e um telefone, dr Carlos Miner Navarro. Saber que o que eu queria lá na minha adolescência era isso, parto humanizado, que respeitasse minha escolha pura e simplesmente. Só não sabia, que não seria tão simples assim! Era preciso mais que a vontade, a certeza, era preciso mais empoderamento, mais apoio de quem está do teu lado, apoio principalmente emocional. É a hora que a mulher precisa sim ser carregada no colo, e ter o mundo voltado pra ela, ser a rainha do seu momento, como se mais nada existisse na face da terra, porque pra ela, nesse momento, realmente não existe! Pelo menos é assim que eu sinto!

E eu não tive nada disso, infelizmente , faltou muito mais informação, mais apoio, pra que eu também pudesse saber do que eu precisava naquela hora! E que acabou me frustrando diante do que mais queria, sentir a dor do parir. o que começou num parto domiciliar planejado, terminou num normal hospitalar,  com analgesia, a pior posição do mundo, e a sempre tão temida por mim, episio…Tudo que eu travei e não deixei fluir só fui entender  na minha gestação seguinte, planejada, 2 anos depois! AAhh!! e como é bom podermos resgatar coisas que ficaram presas! entende-las e devolve-las ao mundo com muita ocitocina junto! o parto dos sonhos de qualquer mulher! uma gestação empoderada, acolhida por enfermeiras maravilhosas, que não deixaram escapar nada (nem o marido!!rsrsrsrrs). Mas uma em especial, que guardou durante todo o tempo aquele dia lá atrás, num cantinho especial, pra que comigo dividisse e me ajudasse a superar, a nomear os sentimentos, a dizer o que eu tive necessidade mas me calei, simplesmente por não saber. E assim com uma  das chaves tão importante nas mãos, fui abrindo todas as portas que estavam fechadas em mim, e fui recebendo outras,  e me fortalecendo cada vez mais. E assim, nasceu a pequenina Lia,  num parto tão rápido quanto transparente, pois desde a hora que me dei conta que estava realmente em trabalho de parto até o momento do nascimento, foram 60 minutos mais ou menos, ao todo, 4h30, dessas dormi 2h30! Transparente porque percebi cada fase muito claramente, e deixei meu corpo me dizer o que ele precisava, eu apenas acompanhava, sem travar, ou me perder, sempre muito consciente do que estava acontecendo, mesmo porque, estávamos apenas eu, meu marido e minha mãe em casa, aguardando a equipe que foi acionada as pressas mas que nem deu tempo de chegar! Eu passei a maior parte do tempo sozinha, meu marido só foi chamado nos 30 minutos finais mais ou menos. Eu realmente estava preparada e muito muito tranquila e certa, do que queria e do que estava acontecendo. Foi lindo! Lindo!

Então, novamente sem planejamento como a primeira, veio a terceira gestação. Passado o susto, nosso e de toooodos a nossa volta, veio a certeza, mais uma vez de que seria em casa, com nossa já nem tão pequena família, cercados das nossa bagunças, das nossas risadas, dos nossos cheiros, das nossas lembranças.

O grupo Luar já não era o mesmo. E justamente quem faltava lá era aquela que me deu uma das chaves mais importantes do meu empoderamento, Adelita. E como poderia eu, não escolhê-la?!

A gestação seguiu, normal e saudável, mas o peso carregado era demais, muitas dores nas pernas e no ciático. Me sentia super pesada, cansada. E assim se seguiu.

A médica já havia me receitado uma homeopatia pra hora do parto e pediu que eu tomasse, eram mais ou menos 14h30.  Já tinha almoçado e corria tudo bem, num dia que começou com febre, mas agora estava tão leve, tranquilo, feliz. Estávamos apenas eu, meu marido, minha mãe e minha até então caçula, a mais velha estava com amigos/parentes nossos.

Me arrependi de ter tomado tal remédio. Muito. Pois em no máximo 30 minutos passados, lá estava eu novamente, no banheiro, debaixo do chuveiro, sentindo dores e contrações bem fortes. Acredito que o remédio acelerou o trabalho de parto, que não era a minha intenção, queria apenas, que se ritmasse, ou não, pois até então estava na dúvida se iria parir nesse dia , ou era só um treino.

Pedi que meu marido ligasse pra Adelita, e pedisse pra ela correr, porque a Júlia já estava pra chegar, e seria rápido, pela minha experiência anterior! Ligou também pra Marcinha logo em seguida. Adelita chegou por volta das 15h30. Graças a Deus! Senti que dessa vez precisaria dela. Estava muito intenso e foi muito de repente, não pude sentir a evolução conforme meu segundo parto. Talvez tenha sido isso que me deixou meio perdida. De novo, me arrependi de ter tomado a tal medicação. Enquanto eu ficava no chuveiro, meu marido foi tentar encher a famigerada piscina de parto ( pela terceira vez, eu iria tentar parir na banheira!!!rsrsrsrsrs).

O ritmo das contrações iam aumentando muito depressa, e com muita intensidade, as dores já eram fortes, e eu tensionava.  Enquanto eu cantarolava uma música do coração, ia tentando me acalmar e me manter conectada, focada no momento, não queria me perder como no parto da Luíza.

Em algum momento a Adelita fez o toque pra ver como estava. 8/9 cm. Mas meu bebê ainda estava alto, mais um motivo que me remeteu ao parto da Luíza, que simplesmente não descia, estava quase com dilatação total e ela não vinha, foram mais ou menos 12h de trabalho de parto da Luíza! Talvez aí tenha desandado tudo. Misturou as duas experiências anteriores e virou uma bagunça só na minha cabeça. Comecei a fazer o que eu achava que deveria fazer, não o que meu corpo pedia. E com ansiedade pra que tudo terminasse logo e eu pudesse ter minha bebê nos braços, me ajoelhei e a cada contração fazia força. Até que coroou,  senti com as mãos e olhei. Olhei, mas não era a cabecinha da Júlia, era só a bolsa, que não tinha rompido. Me decepcionei, porque não era finalmente a cabeça e porque logo em seguida a bolsa rompeu! (a Lia nasceu quase que completamente empelicada, e foi tão legal! ).

Mais dor, mais contração e nada. Mais dor, mais contração, mais força, e nada. Aí comecei a fazer força na hora errada, e Adelita tentando me manter no foco, pra eu não me apavorar. E apesar de estar no meio do turbilhão foi muito bom ouvir sua voz mansa e segura. Até que começou enfim, agora pra valer, a coroar a cabeça. Como é bom sentir nas mãos, uma parte daquela coisinha gostosa e cabeluda! É simplesmente emocionante! E senti todo o tal do círculo de fogo pela primeira vez. E doeu! E meu marido sentiu com os apertões, e gritos no seu ouvido, já que ele serviu de base pra dois apoios!rsrsrsrsr! Depois que saiu a cabeça,  parecia uma eternidade sair o resto, e me deu um certo pânico, de que ela ficasse presa ali no meio do caminho, que eu não fosse dar conta. E acho que foi nessa hora que senti uma fraqueza, como se fosse desmaiar, e pedi ajuda pra Ade, que me ajudou a me apoiar melhor e apoiar a Júlia, ela e meu marido. Acho que na verdade queria que ela puxasse a Júlia porque já estava achando que a menininha ia ficar lá no meio do caminho!!1rsrsrsrsrs! e eu estava tão exausta!!

Até que ela veio com tudo!! tudinho!! as 16h25! Numa rapidez que parecia eterna, numa intensidade de dor forte e feliz, num medo tão certo de que eu queria estar ali, fazendo o que eu estava fazendo ali. E tomei aquele novo ser no colo, tão gorducha, e todos os medos, toda angústia foram embora, e sobrou o amor infinito, a paz, a gratidão, a felicidade sem fim!

Eu simplesmente pari, eu simplesmente fiz o que meu corpo foi projetado pra fazer, e pude vivenciar tantas emoções, tantas transformações, desde a gestação até o ato de parir. E isso pra mim, é tão misterioso quanto maravilhoso!

Com dificuldade, pois além de extremamente cansada, o cordão era curto, fomos pro quarto, onde não demorou muito e veio a placenta (e até ela veio intensa!). e um pouco depois chegou a Márcia, e mais uma vez ficamos sem registro do parto em si!rsrsrsrsrs!

Não precisei levar pontos no períneo, acho que em 2 dias já estava até cicatrizado o pequeno corte. E pro tamanho da bebezona, achei até um milagre! Nunca pensei em parir um bebê tão grande!!E ali na minha caminha quentinha nos enrolamos, nos sentimos, nos aquecemos, nos amamos.

Demorou um pouco pra pegar o peito, também pudera!Tão gorducha! só queria dormir!! Minha pequena Lia que tinha dormido durante o parto, acordou e foi ver a mana, não lembro se pelos braços da minha mãe ou do pai dela, veio toda curiosa mas meio séria como só ela, e encantada pelo “presente”que a nova maninha trouxe, o Woody pra ela e o Buzz pra mais velha (a história era que o Buzz viria quando a Júlia nascesse, o Woody ligou mandando avisar!!rsrsrsrsrsrs!!! e volta e meia o Buzz “aparecia”na barriga da mais velha, ela dizendo que também tinha um bebê ali e o nome dele era Buzz Lightyear!!hahahahah).

Lia_Ade

E quando a mana mais velha chegou, nós jurávamos que ela fosse ter um “treco”quando visse o Buzz de tanto que falava nele, e foi uma luta conseguir o bichinho!!E pra nossa surpresa, ela nem deu bola, foi correndo ver a mana caçula!!!Toda contente e carinhosa com o novo rebento! Puro amor!

Depois de algumas horas, foi a vez do cordão. Ele que fez a ligação mais importante durante tantas semanas, estava pronto pra ser enfim, desconectado. Agora era vez do meu peito, do leite, do meu calor, alimentar essa nova coisinha. E como num ritual, nos desligamos dele, nos despedimos da nossa árvore da vida. Pelo calor do fogo o cortamos, com amor, com respeito,com gratidão.

E assim ela chegou. E seguiu em meu lar o amor por mais uma menininha, nós ali, em família, no nosso ninho, com quem eu gostaria de estar e compartilhar, meu marido, minhas filhas, minha parteira favorita, minha mãe amada e tão importante e fundamental, minha irmã que com a permissão do Senhor, pode estar presente nesse momento tão sublime e que me trouxe aquela música lá do coração (O que é o amor), uma música cantada por ela durante toda minha adolescência, que vou guardar pra sempre, de uma vida que vivemos juntas, de tantas coisas que compartilhamos, vivenciamos, superamos ou não, impossível não me emocionar com ela aqui. Que bom minha irmã, poder ter tido você aqui pertinho, trazendo coisas boas pra nós! te amo!

Minha vó e meu pai dentro do coração, e meus outros queridos comigo em pensamento, e a Marcinha pra registrar o momento mais lindo da minha vida! Um viva à vida! Um viva ao poder gestar e parir! Obrigada Senhor por me permitir!

p.s.: nem preciso dizer que mais uma vez não deu tempo de usar a banheira né!! Desisto! não quero mais!!! rsrsrs

 

Com amor,

 

Adelaine, Igor, Luíza, Lia e Júlia.

 

 

 

 

 

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