Joseane, Júlio e o novo serzinho chamado Francisco

Clique na imagem para vê-la maior!

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Quando cheguei na casa da Jose, desde o portão já era possível sentir uma energia gostosa no ar, uma alegria visível no rosto de cada um.

O dia passou muito rápido, as contrações a cada hora se intensificavam mais e mais, e o cansaço inevitável foi se abatendo sobre ela, e no meio da madrugada, decidiram  que seria melhor ir até o hospital. Neste momento, eu acreditei que tudo se desenrolaria por lá, e como não poderia acompanhá-la no hospital público, pois é permitido apenas 1 acompanhante, voltei pra minha casa. Cheguei um pouco ansiosa, deitei e não conseguia desligar, meus pensamentos o tempo todo estavam com a Jose, e cerca de uns 40 min/ 1h após ter chego em casa, a Fabi, doula, me manda uma mensagem dizendo que eles haviam voltado pra casa, e que o bebê estava nascendo! Meu coração não aguentava de alegria, e rapidamente me troquei, peguei minhas coisas e lá fui eu de novo.

Cheguei na casa da Jose, e o Francisco já estava em seus braços, recebendo todo o amor deste mundo!

Foi incrível! Foi mágico! Uma experiência maravilhosa!! Eu sempre tenho em meu coração, que cada um que chega em nossas vidas não vem por acaso, sempre vem para somar, para nos tocar e transformar de alguma forma. As mudanças que decorreram deste encontro foram profundas! E eu tenho muita gratidão por tudo isso, e principalmente pela oportunidade de ter encontrado vocês e ter estado ao lado desta família neste dia tão único!

Segue agora o relato lindo da Jose:

Francisco, teve seu nome soprado pelo vento, fruto de uma relação de muito amor, que teve início na adolescência. Foi muito esperado, como o Sol, “Waiting for the Sun” – The Doors, essa música o papai sempre tocava durante a gestação.

Chegou o momento de termos um filho, porém pra nossa surpresa foi uma espera árdua, depois de dois anos e meio de tentativas e frustrações, chegou Francisco. Com bom humor brincávamos que ele estava esperando um alinhamento cósmico, certo é que Deus é quem sabe a hora. Bem no dia do aniversário da futura bisavó Izaura fizemos o teste, e deu positivo, a Bisa ganhou de presente o resultado. Com um enorme sorriso e lágrimas de alegria, todos comemoramos a chegada deste tão esperado bisneto, o primeiro do lado paterno da família, o primeiro menino na família materna e eu ainda com as pernas bambas… demorei a acreditar.

Sou massoterapeuta, trabalho com técnicas da Medicina Tradicional Chinesa, energéticas e espirituais. A busca pelo meu parto não poderia ser diferente, a muito tempo já havíamos decidido pelo parto domiciliar. Por tudo aquilo que acredito sobre o corpo, a mente e espírito, tudo o que envolve este momento tão especial, de cura e transformação, resgatando o poder feminino, dos nossos ancestrais, desejamos ter em casa, junto à nossa família, no conforto do meu lar, com todo o nosso amor e carinho, prontos para recebê-lo. Foi essencial o apoio do meu marido, o Júlio (pai) e da família.

Durante toda a gestação foi tudo muito tranquilo, exceto pelo início em que meus hormônios me deixaram um pouco sensível…Rsrsrs… Quem diga o meu marido!

Meu corpo foi se adaptando as transformações físicas. Pressão, taxa de glicose, peso, e etc, tudo estava sob controle. Curti cada momento destas transformações e me achava linda barriguda.  O Francisco também se desenvolveu muito bem, em todas as ecografias sempre esteve bem ativo, dentro dos padrões esperados de desenvolvimento. Estava tudo certo para seguirmos com o planejado.

Realizei o meu pré-natal na rede pública de saúde, participando do Programa Mãe Curitibana, e fui muito bem atendida. Sempre deixei claro a minha decisão em relação ao parto. A Dra. Ginecologista Obstetra que me acompanhou durante todo o pré-natal orientou-me com preocupação, alertando para os riscos, do imprevisível, da importância de ter uma equipe preparada, experiente, amorosa ainda mais por ser meu primeiro filho. Tinha a opção de ser vinculada ao Hospital do Bairro Novo, onde o parto é mais humanizado. Porém, a minha certeza inabalável de que tudo daria certo era mais forte que todos os medos e é claro informação, essa é uma ferramenta indispensável, até porque são muitas as pessoas que temos a oportunidade de esclarecer. Toda a nossa família ficou sabendo de nossa decisão e até mesmo quem de início ficou preocupado, depois de assistir alguns vídeos, buscar informação, ficou encantado com esta possibilidade. Encontrei o Grupo Empodera onde participei de reuniões instrutivas, conheci a EO Deise, a doula Fabíola, que me acompanharam nesta jornada, além de outras profissionais e gestantes.

Com 40 semanas, no domingo, realizamos a última ecografia, Francisco estava bem, peso, batimento, posição, tudo perfeito.

Na quarta-feira à noite senti a primeira contração com uma leve dor no baixo ventre, um friozinho na barriga seguida por uma alegria que esquentou todo o meu corpo. Uma sensação de amor que não se continha em meu ser. Deitei cedo para descansar e estar bem para o momento que se aproximava. Na quinta pela manhã avisei o Júlio que a hora estava chegando, passei o dia sozinha ajeitando os últimos detalhes do quartinho do baby. De noite quando o Júlio chegou as contrações estavam um pouco mais ritmadas, de 10 em 10 minutos. Minha irmã Scheilla chegou junto com ele, depois a EO Deise, minha mãe Ângela e a Fabíola. Acampamento montado, passamos a noite como deu. Eu até que dormi um pouco.

Pela manhã o ritmo era de festa, eu estava muito feliz, todos estavam, finalmente iriamos conhecer aquele serzinho tão esperado, que com tanto amor cresceu em meu ventre, a magia da gestação chegava ao fim e nós estávamos cercados de pessoas queridas. Recebemos o reforço da Márcia, fotógrafa e da irmã Lara, que com a Scheilla ficaram na cozinha e fizeram muitas coisas gostosas, eu não conseguia comer quase nada, me dava enjoo, mas não descuidei da água. A casa estava cheia, os pais do Júlio também vieram, a Rosângela (sogra), o Gilmar (sogro) e  a cunhada Luana, eles moram perto e todos os dias me monitoravam. Mais algumas visitas surpresas.  E entre sorrisos e contrações recebi seus abraços e desejos de que tudo desse certo.

Já era de tarde e o movimento era grande, as contrações estavam evoluindo de forma tranquila. Alguém me perguntou se eu não estava incomodada com as pessoas!

– Não, respondi.

Eu estava tão feliz e sabia do movimento de cura e amor que o Francisco estava trazendo. Tudo estava certo, cada um que esteve presente neste dia, foi guiado por uma força maior e teve o seu papel, a sua participação. Eu sabia desde o início que este piazinho  iria movimentar muita energia e mexer com o coração de cada um. Foi um dia muito especial, de expectativa! Estávamos felizes, recebi o carinho e o respeito de todos!

O tempo passava devagar, dei várias volta pela casa, exercícios na bola, dançamos ao som de Loreena McKennitt. O tempo todo havia música, separei uma coletânea com músicas espirituais que me inspiravam e me conectavam com a minha fé.

As contrações foram aumentando, as risadas diminuindo, mais concentração, expectativas, dor, cansaço. O dia estava acabando e nada do Francisco.  Tomei um banho e fui deitar um pouco, mas as contrações estavam bem fortes e não consegui descansar.

Já era sábado de madrugada quando decidiram que eu iria para o hospital, o trabalho de parto já tinha várias horas, foi cogitado a possibilidade dele não estar bem encaixado, uma insegurança no ar… Por precaução, fomos para o hospital. Deixei claro a minha posição de falar a verdade, que eu estava em trabalho de parto domiciliar e isso não foi nenhum problema, não senti nenhum constrangimento. Chegamos rápido no HC, e fui avaliada por três médicos que foram muitos gentis e educados. Me disseram que eu estava com 8 de dilatação e edema de colo, acredito ser resultado de fazer força antes da hora, ainda não sei bem o que aconteceu, mas me orientaram para que eu fosse a maternidade a qual estava vinculada. Saí da sala e disse ao Júlio que queria ir para a maternidade que já não aguentava mais, a dor era forte e eu estava muito cansada. Entrei no carro, e após consultar a EO que estava nos acompanhando, deixou a decisão em nossas mãos, o Júlio decidiu:

-Não! Vou te lever pra casa!  Depois você vai me agradecer por isso.

Eu queria matá-lo mas não podia. Minha sogra me acompanhou no banco de trás, foi muito bom a sua presença e apoio naquele momento. Vim rezando o caminho todo, sentia como se tivesse um muro gigante na minha frente, como se eu não tivesse forças para passar.

Na volta as contrações estavam cada vez mais fortes, o movimento do carro tornava a coisa mais tensa e eu não reprimi os meus gritos. O carro parou na frente de casa e tive mais uma contração, quase acordei a vizinhança, rsrsrs. Entrei direto na água e algumas contrações depois senti a cabecinha do Francisco, pronto, aí a coisa mudou, eu tinha de volta toda a força do mundo e sabia que estávamos quase. Acho que o movimento do carro, e a adrenalina do momento ajudaram na descida do Francisco.

Me concentrei nas orientações de apoio do Júlio, da Deise, mas de todos, a minha mãe foi fundamental, a energia, força, amorosidade e calma com que ela me orientava, foram essenciais. Foquei no que ela me falava. Senti o quanto estávamos sintonizadas e o Júlio também todo amoroso não sabia o que fazer para me ajudar. Entre as contrações buscava relaxar e controlar a respiração. Nesta hora estava um pouco irritada com as expressões de, “respira, respira, senão vai faltar oxigênio pro teu filho!”, me injuriavam. Porra eu estava respirando se não já tinha morrido. Mais algumas contrações e a cabecinha estava a vista, foi quando já não era possível monitorar os seus batimentos cardíacos. Neste momento, a Deise falou:

– Jose, se concentra e faz a maior força do mundo, porque agora ele tem de nascer!

Fiz toda força do mundo e com a ajuda da Deise o Francisco nasceu, foi de uma vez, em um grito de Ursa, nasceu o meu ursinho. Os cachorros começaram a uivar, uma fragrância indescritível preencheu o ambiente, e senti a maior emoção do mundo ao ver o rostinho do meu pequenininho, a cara do pai, rsrsrs. Nasceu às 5:05 da manhã de sábado, pesando 3.065kg com 52cm. A partir deste momento, não havia mais dor, tudo havia se transformado em uma alegria imensa, contagiante. Meu filho ficou no meu colo por um tempinho, chorando com força, todos estavam emocionados.

De quarta-feira quando senti a primeira mudança de padrão nas contrações até finalmente o nascimento de Francisco foram 57 horas. O Júlio cortou o cordão umbilical, a placenta demorou pra sair mas deu certo. A Scheilla e a Marcinha fizeram a impressão da placenta que ficou um belo desenho. A placenta, nós enterramos no jardim, no pé da Araucária, conectando meu filho com a Mãe Terra, com os pedidos de que ela o nutra nesta vida dando a ele todo o amor, com o mesmo carinho que até aquele momento o nutria dentro de mim.

A experiência mais espiritual, divina, que vivenciei, tornar-se mãe, gerar um ser, é uma metamorfose que marca o rito de passagem da mulher para mãe. Nos ensina a honrar e resgatar a força feminina, fertilidade, conexão com a Mãe Terra.

Honrar os ancestrais, aqueles que vieram antes de nós e construíram o mundo com seus ideais, valores, parte do caminho que aprendemos e agora temos a honra de dar continuidade, buscando sermos melhores, mais amorosos, renovando a esperança em um futuro melhor para aqueles que estão chegando e para o nosso planeta.

Realizar o parto em casa, foi a realização de um sonho.

A honra de permitir, aceitar, ser um meio pelo qual um ser, uma estrelinha, um espírito, uma alma, veio ao mundo através do meu ventre, da minha carne, da união com meu conjugue em um ato de amor e respeito. E seu nascer abençoado, acolhido com festa e amor. A possibilidade de compartilhar este momento com cada um, foi uma cura. A cura das gerações. O Francisco chegou ao mundo envolvido no amor, que como um terremoto quebrou barreiras do passado, dos laços rompidos, dos erros cometidos. A possibilidade de um recomeço, de fazer diferente e não negar o amor, mas expressá-lo, através do riso, do silêncio, do olhar, dos gestos ou de lágrimas. Cada um que esteve presente nesta jornada vivenciou algo profundo dentro de si. Foi lindo e especial.
Gratidão! Gratidão ao Universo, gratidão a todos que nos acompanharam nesta jornada!

Joseane d´ Espindola Oliveira

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