Lívia, Fredy e o pequeno grande Otto

Lívia, Fredy e Otto

Clique na imagem para vê-la maior.

Este é um relato para mexer com as estruturas! Prepare-se!

Eu tive a honra de fotografar este dia, de participar desta história incrível, de conhecer essas pessoas maravilhosas, e sou muito grata por isso!! Eternamente!

Eu não estava presente na hora do nascimento do Otto, pois este momento acabou acontecendo no hospital, não premeditadamente, não porque aconteceu algum problema, mas por decorrências normais do parto, que às vezes fogem ao nosso controle. Dessa forma, a gestante em conjunto com a família e equipe, assim decidiram que seria melhor ir para o hospital.

Mas registrei todo o trabalho de parto que aconteceu em casa, com toda a alegria, amor, conforto e liberdade que este local pode propiciar à gestante.

E após algumas semanas, fui visitá-los para conhecer o novo serzinho que estava enchendo estes pais de alegria!

Toda a história que vocês lerão abaixo, nos traz muitos ensinamentos.

Pra mim o que ficou de mais marcante foi saber aceitar o que vida lhe trouxer de coração aberto, saber acolher, agradecer e seguir em frente.

Não se prender a ideal nenhum.

Saber que romantizar demais o parto pode lhe trazer grandes frustrações.

Saber que realmente não precisamos seguir padrões pré-estabelecidos. Principalmente em relação ao parto.

Nos lembra que nem sempre teremos um parto normal exatamente como sonhamos durante toda a gestação, e que a cesárea bem indicada é mais que bem vinda! E isto não deve ser razão de tristeza ou culpa.

Humanizar ao meu ver é antes de tudo saber acolher e respeitar a decisão da mulher. Sem julgamentos, sem cobranças… Respeitando todos os aspectos culturais, psíquicos e emocionais desta gestante e de sua família.

E foi por este viés que transcorreu todo o trabalho de parto que aconteceu em casa.

E eu só tenho mesmo a agradecer à Lívia, ao Fredy e ao Otto por me permitirem estar com vcs neste dia, pela amizade que cresce, pela confiança e amor.

Agradecer esta experiência tão enriquecedora, tão fortalecedora. À equipe do grupo Luar, que estão ali sempre com os ouvidos e coração aberto percebendo todas as nuances deste momento, e vivendo intensamente a humanização no nascimento..

Segue agora, o relato da Lívia incrivelmente emocionante!

Eu não pari.

Essa frase pode não significar nada pra maioria das pessoas. Inclusive para as mães. Mas pra mim dói demais começar meu relato de parto assim.

Desde muito pequena eu era fascinada pela ideia de ser mãe. E essa idealização sempre começava com parir. Meu brincar de boneca com as minhas irmãs começava com os nossos partos. Adorava quando minha mãe contava como eu tinha nascido e como minhas irmãs tinham nascido. Eu nunca tive medo de passar por isso. Eu nunca tive nenhuma dúvida sobre essa ser minha vontade ou não, ou seja, eu tinha certeza que eu iria parir.

Quando eu engravidei fui automaticamente procurar um médico que respeitasse minha vontade de parir e minhas escolhas e eu encontrei esse médico. E eu passei a ler muito, pesquisar muito, entender todo o processo fisiológico da coisa, todas as evidências científicas para tomar minhas decisões. Eu fiz a lição de casa. E eu estava tranquila. E ansiosa positivamente, como quem é chamado pra uma festa super legal e não vê a hora daquela data chegar e não pode fazer nada além de se preparar para a festa.

Minha gravidez foi super tranquila. Não tive nenhum problema de saúde, meu bebê estava na posição certa desde metade da gestação. Tudo lindo. Tudo absolutamente normal.

Quanto mais eu estudava e compreendia como funcionava um parto natural mais eu tinha certeza que o melhor para mim e para o meu filho seria um parto domiciliar planejado, com o acompanhamento de enfermeiros obstetras e uma doula. Meu médico também foi super tranquilo com essa decisão e me disse: “não tem porque você não parir Lívia.”

E, após receber um aval super tranquilo do meu marido, assim foi. Nós contratamos os enfermeiros. Contratamos a doula. As pessoas mais profissionais e maravilhosas que eu conheci em todo esse processo. Conversas, encontros, risadas, expectativas, medos. Parir começava entre as orelhas. E pra mim eu estava parida já. Podia levar horas, podia ser muito doloroso, podia um milhão de coisas diferentes. Mas no final, salvo se houvesse uma intercorrência que colocasse eu ou o Otto em risco, eu iria parir na segurança do meu lar, com o meu marido junto, assistida por uma equipe de profissionais que eu havia escolhido a dedo.

Isso era o que eu acreditava.

Dia 18 de março, começo da madrugada, as contrações que eu vinha sentido há alguns dias com horas de intervalo começam a vir de 10 em 10 min, ou de 12 em 12 min. Sabia que estava chegando a hora. Era uma dor intensa, muito diferente de qualquer outra que eu já havia sentido, mas muito suportável. Como eu sabia que era só um preparo do meu útero… vida que segue.

Consegui dormir 2h30 nessa noite. De manhã as contrações continuavam ritmadas e eu e o Fredy fomos tomar café na padaria, abastecer o carro, comprar adaptadores pra aquecedor, ou seja, resolver tudo o que ainda tinha pra resolver dando umas paradas pra gemer meio escondida quando estava em público e uma das contrações vinha.

Avisei toda a equipe que estava entrando em TP. Que era pra eles se prepararem pra mais tarde. Um dos enfermeiros veio à minha casa e eu estava com 5 de dilatação. Ouvimos o Otto, ele estava  super bem. Era só ficar tranquila e esperar engrenar de vez.

No final da tarde as contrações começaram a ficar com um ritmo menor. E é aqui que as coisas começam a ficar confusas na minha cabeça. Quem estava aqui que me perdoe se eu faltar com a realidade. Também, foda-se a realidade. O parto era meu, o delírio era meu, o relato é meu.

Minha mãe chegou. O Fredy nunca saiu de perto de mim. Lá pelas 10h da noite eu acho chegou a minha doula. Eu bordava entre uma contração e outra. E conversava e ria. Eu estava feliz. E tranquila. Eu ia conhecer meu bebê logo logo.

De madrugada as dores foram ficando mais intensas e ritmadas de 5 em 5 min. E ai eu chamei os enfermeiros. E a fotógrafa. Eu tinha convicção que em no máximo umas 10h eu estaria com o Otto.

As 3h30 da manhã do dia 19 chegou uma das enfermeiras. Ouviu o Otto, tudo lindo. Me examinou: 6 de dilatação. Me orientou a ficar mais ativa pra acelerar o processo. Acendemos velas, ligamos música. Dancei, fiquei na bola suíça. Depois tentei dormir. Pra mim eu não dormi nada. Mas segundo o Fredy eu roncava entre uma contração e outra.

O dia parece todo misturado na minha lembrança. Comecei a ter muita dor no meu sacro. E fui pra banheira. Era um alívio tremendo. Massagem, conversas, risadas, banho. O clima era otimista. Era expectativa positiva. E assim foi o dia todo.

E as contrações de 5 em 5 e durando de 30seg. a 2 min. Isso eu sei porque me falaram, mas se fosse puxar só pela memória elas não eram tão longas e os intervalos eram bem maiores. E o mais impressionante: por mais que pra mim o intervalo fosse mais longo o tempo estava passando muito mais rápido (???)

O Otto estava sendo ouvido de tempos em tempos e eu sabia q estava tudo bem. Voltas na casa, almoço, agachamentos.

Fomos passear na rua, dar uma volta na quadra. Quando dava uma contração eu me agachava e todo mundo se agachava comigo. Meus vizinhos devem estar tentando entender até agora.

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E foi mais ou menos nesse período que o meu otimismo começou a cair. Eu estava cansada. Com uma dor na lombar que ia muito além do que eu poderia imaginar suportar e pensava: isso é a coisa mais difícil que eu já fiz na minha vida. Não sei se eu parei de rir nos intervalos, não sei se eu parecia morta ou se parecia bem. Mas eu estava morta.

Começo da noite um toque novo: 8cm. Bolsa íntegra. Dava pra sentir a cabecinha dele. E os enfermeiros me propuseram uma intervenção que provavelmente aceleraria o processo: romper minha bolsa. Eu fiquei preocupada com a possibilidade de um prolapso de cordão. Me examinaram, me disseram que não aconteceria, que a cabecinha dele estava bem encaixadinha ali. E, sob o aval da minha mãe médica e meu marido, eu topei.

Romperam. Eu lembro do quente do liquido escorrendo nas minhas pernas e do alívio de saber que algo estava sendo feito para que o Otto chegasse logo e o alívio do peso da água não estar mais ali. Um novo toque e eu estava de 9 cm. Me enchi de esperanças de novo. Meu bebê ia nascer. E ia nascer logo. E tudo aquilo ia acabar e eu só ia ficar feliz com ele nos meus braços.

Mas não. Ele não desceu mais. Ele continuava bem e eu continuava tendo as contrações mas elas nunca diminuíram de intervalo. E a minha esperança e alegria foram dando lugar a um medo imenso de fazer o meu bebê sofrer. Eu não tinha mais forças. Eu não havia chegado no momento de fazer força para ele sair e eu não conseguia mais ficar de cócoras por conta de dor nos meus pés e não conseguia mais ficar deitada porque me dava falta de ar. E não conseguia mais ficar de 4 pq o meu sacro parecia q ia explodir. E eu comecei a pedir ao Fredy por alívio. Eu precisava de um hospital.

Quero deixar bem claro nesse ponto que eu sabia que o meu bebê não estava em sofrimento e eu sabia que não havia nenhuma indicação para que eu fizesse uma cesárea. As únicas razões eram a minha estafa e o pessimismo que tomou conta de mim. E aí a minha mãe resolveu intervir e me perguntou se eu não queria ir para o hospital. E eu disse que sim.

E eu pedi mais um toque para ver se havia ocorrido algum progresso, se eu já estivesse com 10 de dilatação eu poderia tirar forças sei lá de onde para o expulsivo. E quando a enfermeira me disse que eu continuava com 9 de dilatação (depois de 5 horas) eu consegui apalpar a desesperança e o peso da minha desistência. Da minha covardia. Aquele foi o momento do chega.

E eu não conseguia nem me emocionar com estar tomando essa decisão. Eu lembro da fotografa me olhando com tristeza. Eu lembro do Fredy chorando. Eu lembro do rosto dos enfermeiros. Eu lembro do misto de tristeza e alívio da minha mãe.

E nós fomos para o meu plano B. Com o coração apertado. Agora eu só queria o alívio de ter o meu bebê nos braços. Não importava mais como.

No caminho a doula massageando minhas costas que ainda me matavam. Meu marido e minha mãe no banco da frente, em silêncio, nervosos. E eu só queria que por um milagre ele resolvesse nascer dentro do carro, como a gente vê em tantos relatos.

Chegamos na maternidade e eu pulei do carro. Cheguei no balcão da recepção e disse: “estou parindo, não vou preencher ficha nenhuma, esses são meus docs, essa é minha mãe, me mande lá pra dentro.” E me agachei segurando a ponta do balcão e tive uma contração longa.

Cadeira de rodas, GO velho que nem olhou na minha cara e me mandou subir na maca e me fez um toque suuuper dolorido e repetiu o que eu já sabia: 9 de dilatação. Escutou o bebê. Tudo bem.

Me mandaram para o centro obstétrico e lá me fizeram deitar em uma maca e colocar os pés no estribo que não desciam pra ficar da minha altura. O GO chegou e me mandou fazer força comprida e não respirar durante a força. E eu, sabendo que não adianta fazer força fora de expulsivo, sabendo que não estava no expulsivo e morrendo de cansaço, simplesmente ignorei ele.

E de repente eu lembrei: se eu não falar nada ele vai me cortar. E eu olhei para ele e disse: eu não quero episiotomia. E ele disse que ia fazer. E eu disse que não era pra fazer. E ele percebeu que eu não era burra. Mandou eu descer da maca e me mandou pra uma outra sala. O Fredy comigo querendo fugir do hospital e eu num misto de delírio, raiva e medo sabendo que agora não adiantava sair de lá… que só seria mais traumático se eu tentasse uma fuga. Na minha cabeça só passava um pensamento que eu não ousava verbalizar: se eu não for pra cesárea vou estar colocando o meu filho em risco. Não era um raciocínio lógico, não era uma certeza científica, era o medo de não ter forças pra parir ele depois de tantas horas. Era o cansaço batendo na minha cabeça. E o medo que ainda não tinha me visitado e agora batia na minha cara todo de uma vez. O medo que eu tive orgulho de dizer que não tinha a gravidez inteira.

Depois de um certo tempo que eu não sei mensurar o GO apareceu de novo. Novo toque doloroso. Novo tratamento com zero empatia. Nova conversa sobre a episio desnecessária. E ele me disse que ia verificar os batimentos do bebê e colocou a mão no topo da minha barriga. Nessa hora eu já sabia o que ele ia fazer. E eu aceitei que se eu queria mesmo uma cesárea ia ter q entrar no esquema dele. Que isso passou pela minha cabeça nessa hora o meu marido só vai ficar sabendo quando ler isso.

Eu sabia pelas minhas pesquisas que os batimentos cardíacos dos bebês caem quando estamos no meio das contrações. Que nesse momento eles não são indicativos de batimentos não tranquilizadores.

Ele colocou a mão no topo da minha barriga e esperou a contração para medir. Ele precisava de uma desculpa pra me levar pra cesárea. Mediu e disse: batimentos cardíacos caindo, vamos pra cesariana. E eu senti um misto de alívio e culpa.

Fui maltratada por todas as enfermeiras enquanto me preparavam para a cesárea. Movimentos bruscos, ordens duras, como se eu estivesse atrapalhando tudo com a minha pança enorme e minha mania de gemer quando estava com dor.

O único que não me tratou mal foi o anestesista. E quando ele me disse: “agora você não pode mais mexer esse braço” eu só lembro de pensar: “acabou. Não sou mais eu parindo o meu filho. Agora eu não tenho mais nada a fazer.” E apaguei. Eu dormi.

1 hora e 58 minutos do dia 20/03/2015. Eu não vi o meu filho nascer. Eu lembro do Fredy estar do meu lado como num delírio. Eu lembro de ter perguntado pra ele se o Otto já tinha nascido e se estava tudo bem. E ele me respondeu que sim e eu voltei pro meu sono/desmaio.

Fui acordada pelo anestesista conferindo se eu estava dormindo ou se estava desmaiada. E depois veio o GO e me disse que a cesárea era inevitável porque o meu bebê estava com a “cabeça torta” numa posição que ele não conseguia descer mais. E em seguida acordei sozinha, em outra sala, com a enfermeira colocando o Otto no meu braço, abrindo minha camisola e dizendo: “enfie a aureola na boca dele” e saindo.

Eu olhei para aquele pacotinho e ele espirrou no meu peito e em seguida agarrou ele com uma vontade enorme! E só então ele olhou pra mim. E só aí eu chorei. E pedi desculpas pra ele por não ter conseguido impedir que fizessem todas as intervenções que eu não queria nele (uma das razões que eu queria o parto domiciliar). Me senti uma inútil por não ter impedido que cortassem o cordão dele antes de parar de pulsar. Por saber que haviam aspirado ele e pingado o colírio doloroso e sei lá mais o que. Eu me culpei não ter sido a primeira pessoa a pega-lo no colo e por não ter aquecido ele no meu seio nos primeiros momentos de vida.

Hoje eu sei que havia uma chance de o Otto ter nascido de parto normal, caso ele mudasse a cabeça de posição, mas o mais provável é que eu tivesse que fazer a cesárea de qualquer jeito. O que houve conosco foi o que os médicos chamam de cabeça defletida (isso se o GO não mentiu pra mim), mas naquele dia eu só me senti uma fracassada por não ter parido. Eu chorei muito na manhã seguinte, nos poucos momentos que fiquei sozinha na troca de acompanhantes. E fiquei em silêncio o máximo que eu pude pra ninguém perceber minha frustração e meu luto pelo parto que não tive.

48h depois tive alta. E no segundo dia em casa eu explodi em febre, pus que saía do corte e cheiro de morte. Entrei em pânico. Minha mãe que é médica me levou para a maternidade. Ela tinha certeza de que era infecção hospitalar. Deixei o meu filho com o meu pai e com o meu marido.

Eu só pensava nele. E chorava. Quando cheguei explicando o que estava acontecendo para a enfermeira ela me colocou em código verde (o que significa “fora de risco, pode esperar”) e eu sentei na espera da recepção e chorei enquanto ouvia a minha mãe muito brava tentando convencê-la de que eu era código laranja. E eu li o aviso que tinha na parede da recepção onde haviam os códigos. E laranja era: urgente, risco de morte, atendimento em até 10 min.

Quando percebi isso a única coisa que passou pela minha cabeça foi: eu vou morrer, vou deixar um filho de 4 dias nesse mundo e eu não tenho uma única foto com ele e não vou ter sequer a chance de me despedir. Eu fechava os olhos e o via olhando pra mim.

Quando finalmente me examinaram na triagem me passaram automaticamente para o código laranja. Quando fui atendida pela médica de plantão ela só abriu o curativo que eu havia feito em casa, que estava completamente encharcado de pus, e disse: “pode mandar ela pro internamento em isolamento e chamar a equipe de desinfecção para vir aqui”.

Infecção da parede interna do útero. Foram 7 dias de internamento, 3 dias em isolamento. 14 punções venosas. Dois antibióticos intravenosos diferentes. E eu só não enlouqueci porque fiquei com o meu filho todo o tempo. Quando eu ficava mal eu cheirava ele como se minha vida dependesse disso. E eu acho que dependia mesmo.

Desculpem o tamanho desse relato, mas é que o meu parto só acabou quando eu recebi a segunda alta do hospital. A alta com a certeza de que eu ia viver em casa com o meu filho.  Com a minha família.

Eu nunca vou poder agradecer o suficiente às enfermeiras que me atenderam na maternidade nesses 7 dias. Diferente das primeiras lá na maternidade, do dia do parto, as do internamento foram maravilhosas comigo. E eu nunca vou poder agradecer o suficiente ao meu marido, minha mãe e minha sogra, que se revezaram cuidando de mim e do Otto em longas noites naquele hospital.

Eu sei que vai demorar anos para eu superar o não ter parido. Mas a verdade é que eu não me arrependo de nenhuma das minhas decisões em todo esse processo. Não me arrependo de ter tentado o parto domiciliar, pois não tive o meu tão sonhado parto, mas tive o melhor trabalho de parto que eu poderia imaginar: leve, no meu lar, regado a carinhos e risadas. Também não me arrependo de ter ido ao hospital, pois sei que eu cheguei ao meu limite. Não foi uma frescura ou um pânico de momento. Naquele ponto eu precisava do ambiente hospitalar para me sentir segura e isso é o mais importante de todo esse processo: ser respeitada em suas decisões e estar segura.

Quanto à parte que não tive controle, os maus tratos no hospital e a infecção hospitalar, não tenho ressentimentos. Tenho pena desses profissionais que não conseguem entender o quão sagrado deveria ser o atendimento às parturientes e o quanto eles mesmos perdem por tratar a coisa como um fardo. Me sinto bem por saber que eu fiz tudo para parir o meu filho com dignidade e por estar saudável, junto com ele, que está lindo e gordo de leite materno e sorridente.

Lívia Farah

 

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6 respostas em “Lívia, Fredy e o pequeno grande Otto

  1. Eu acompanhei toda a gestação da Lívia e ansiedade pra parir o Otto. Apesar da ‘frustração’ que ela sentiu, mesmo que as coisas não saíram como planwjaso, ela foi uma guerreira. 48h em trabalho de parto?! Juro que não me imagino agüentando tanta dor, guerreira mesmo! E o Otto é uma benção <3 depois que o conheci, pela primeira

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  2. Chorei litros aqui. Sei como é difícil este momento e me arrepio só de lembrar dos meus momentos e quão difícil é quando o seu sonho não vem completo, mas vendo a felicidade do nascimento e o desenvolvimento do bebê, a frustração dá lugar a alegria de cada despertar. Vc foi guerreira amiga, exemplo para muitas mães por vir. Quanto ao documentário, maravilhoso.

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  3. Entendo perfeitamente a ‘frustração’, sei o que é isso, passei por essa experiência de sonhar com parto natural e ter que fazer cesariana, que no meu caso foi inevitável. Mas me foi negado o direito de ter um acompanhante, as enfermeiras mentiram dizendo que não havia ninguém a minha espera… O maior medo que já senti…

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