Karina, Marcelo e um pacotinho de amor chamado Pietra.

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Intenso. Esta é a palavra que poderia resumir o parto da Karina e do Marcelo. Na mesma proporção em que foi rápido foi intenso! E foi lindo! E foi transformador!

E quando olho pra trás e lembro deste dia, a imagem que fica mais tempo em minha mente é lembrar daquela mulher se transformando em uma super mulher. Se percebendo
dona de uma força que ela nem poderia imaginar que tinha.Vendo aquele corpo, coração e alma se abrindo para um novo mundo, que ela desconhecia completamente, mas que se veria tão fascinada e tão pertencente que era como se jamais pudesse ter vivido sem aquilo tudo!

Esse portal que esta família atravessou, muniu-lhes ainda de mais amor, de união e empoderamento.

A confiança na equipe que estava assistindo o parto foi fundamental, saber que seu tempo, suas escolhas, e seus corações seriam ouvidos e respeitados, permitiu que eles pudessem transpor todas as barreiras, e que pudessem viver este momento de forma tão plena.

E na sequência segue o relato da Karina, super emocionante.

Quando descobri que estava grávida eu já sabia que queria ter um parto normal e da forma mais natural possível porque eu acredito no poder da natureza e acho que o corpo sabe o que ele tem que fazer.

Procurei uma médica que aceitasse fazer um parto normal que fosse o mais natural possível e ela me incentivou a procurar uma doula. Foi quando eu conheci a minha doula de coração Deise, a Enfermeira Obstétrica do Empodera, a minha enfermeira obstétrica. Foi a terceira pessoa com a qual conversei e já na primeira conversa eu sabia que era ela que eu queria que estivesse no meu parto, foi amor a primeira vista, rolou muita empatia. Ela me apresentou o Grupo Empodera, onde eu conheci a minha “segunda doula”, a querida Fabíola.

As reuniões do grupo eram cheias de informação e isso me re-empoderou, digo re-empoderar porque eu acho que toda mulher já nasce empoderada, mas muitas delas não conhecem esse poder  e se redescobrem, descobrem isso dentro delas, a medida que vão se informando.  A informação traz para a mulher conhecimento, para que ela consiga fazer as suas escolhas e decidir o que é melhor pra ela e isso é se empoderar.

Nas reuniões, elas (Deise e Fabíola) me deram ainda mais segurança naquilo que ainda era uma impressão pra mim, eu tinha uma impressão de que não precisava de intervenção, pois nascer na minha opinião era um evento natural. Frequentando o grupo e as reuniões eu percebi que existia uma linha de pensamento que via o nascimento dessa mesma forma que eu e isso me fortaleceu. Eu fiquei muito feliz em ver que existiam pessoas que iriam apoiar minhas escolhas.

Eu escolhi ter o parto da maneira mais natural possível, primeiro porque eu queria ter o meu corpo respeitado, as minhas escolhas respeitadas e eu queria participar daquele momento da forma mais ativa possível. Eu queria que aquela experiência fosse uma experiência singular, única, mágica, familiar e amorosa pra nós três, eu, meu marido e a minha filha.

E eu queria que minha filha viesse ao mundo cheia de cuidados, eu não queria que ela sofresse intervenções que não fossem necessárias. Eu queria que ela sentisse o amor de todos, não só o meu e o  do pai dela, mas o amor da equipe inteira. Que ela percebesse que as pessoas que estavam tocando nela na hora em que ela veio ao mundo, torcem por ela, gostam dela. Eu acho isso extremamente importante, a maneira que a pessoa vem ao mundo faz muita diferença, como ela é recebida faz muita diferença pra ela.

E foi assim que aconteceu, depois de três episódios de pródomos (um falso trabalho de parto, com contrações que não pegam ritmo) a gente começou o trabalho de parto em casa: eu, meu marido, minha doula, minha enfermeira obstétrica e minha fotógrafa que estava ali pra registrar este momento lindo.

Tive muitas cólicas ao longo da semana que antecedeu o trabalho de parto e no dia 13 de março de manhã eu fui à minha obstetra e eu já estava com 5 de dilatação, mas sem nenhuma contração, nenhum sinal de trabalho de parto. E foi na virada da lua minguante, com 40 semanas e 4 dias, que o trabalho de parto engrenou. Doce lua minguante, estava trazendo a minha Pietra, a nossa filha linda.

Eu comecei a sentir as contrações as 1:30 da madrugada do dia 14 de março de 2015, mas elas só engrenaram (ficaram ritmadas) depois das 3h da manhã. A equipe chegou as 2:30 e ficamos em casa até uma 6h da manhã ao som do meu playlist, eu sentindo as contrações, tendo o carinho da doula, massagens, bolsa de água quente, o monitoramento da enfermeira obstétrica e o apoio do meu marido.

“Enfrento qualquer parada com você
Nós em busca do caminho do amor
Sei que todo mundo um dia vai sofrer
E nosso coração também vai sentir dor

Mas no final, tudo, tudo, vai resolver
Como o sol se põe e a lua nasce
E a noite vai brilhar sua luz
Por todo lugar, e nos sonhos da gente”

Natiruts

Foi quando eu decidi ir para o hospital, 6h da manhã, porque tínhamos combinado que o desfecho seria no hospital com a minha querida obstetra Juliana, que aliás começou a acompanhar minha gestação na 38° semana (quando eu precisei trocar de obstetra porque não concordava com alguns pensamentos da minha antiga médica).

Cheguei ao hospital com 8 de dilatação e foi relativamente rápido para chegar aos 10. Tomei ducha de água quente, troquei de posição no momento em  que eu quis, continuava ouvindo meu playlist e aos poucos, a Pietra ia chegando. Fui entrando na parte expulsiva do trabalho de parto, que no meu ponto de vista foi a parte que mais demorou, o marido que também se encontrava na partolândia, parindo junto comigo, brinca que a sensação dentro daquela sala de pré parto era que o tempo passava muito rápido, que parecia que a gente tinha ficado minutos ali dentro, e parecia mesmo, mas quando chegou no expulsivo pra mim a sensação era de muito tempo, eu não via a hora de ver a carinha da minha filha.

Na verdade, o expulsivo foi mais longo do que a gente esperava e foi esta expectativa elevada que precisávamos transpor. Essa era a nossa barreira, o nosso portal que precisávamos atravessar para continuar. Já aí aprendemos que não se pode controlar o incontrolável. Um parto é único e imprevisível, não adianta você achar que vai adivinhar o que vai acontecer.

Passamos por todas aquelas fases que nos disseram nas rodas de discussão do grupo, inclusive a da covardia, dolorosa covardia, mas que no final a gente venceu, depois de muita força. E nós três nos mantivemos juntos num único objetivo, trazê-la ao mundo rodeada de amor. Nós três não, nós sete. Nós três mais a Deise, Fabiola, Juliana e Marcinha. Uma equipe incrível, empoderada, cheia de confiança do que éramos capazes, cheia de confiança de que nós íamos conseguir.

Eu chorei, eu pedi ajuda, eu precisei de ajuda porque eu estava com a bolsa integra e o trabalho de parto não evoluia. Foi quando decidimos em conjunto que iríamos estourar a bolsa e após isto a médica pôde ver que seria preciso endireitar o cabeça da minha filha para o trabalho de parto continuar evoluindo, e foi o que foi feito. E então o trabalho de parto fluiu, não menos difícil do que antes, mas caminhando.

E após uma, duas, três e incontáveis forças depois , a minha Pietra nasceu. Depois de muita torcida da equipe inteira, o tempo todo do nosso lado, acreditando na gente, dizendo que não precisava de analgesia, que ela iria nascer, estava nascendo e que ia ser como eu queria…e foi.

Nasceu a cabeça, um pouquinho dos ombros e a obstetra me disse: pega sua filha. E eu dizia: como assim?  E ela: Pega, segura sua filha, segura sua filha.  E eu coloquei as mãos por baixo dos bracinhos dela e terminei de fazê-la nascer, trouxe ela pra mim, quentinha, com os olhos arregalados, me cheirando, querendo mamar. Uma cena que eu nunca vou esquecer, eu nunca vou esquecer aqueles olhinhos olhando pra mim, nunca vou esquecer aquela sensação de calor em cima de mim, nunca vou esquecer aquela atmosfera com todas aquelas pessoas felizes pelo nascimento da minha filha, felizes porque eu tinha conseguido, felizes porque o meu marido tinha me apoiado o tempo inteiro.

Essa experiência foi única e acho que toda mulher tinha que ter a oportunidade de viver isso, da forma mais respeitosa possível. Por isso, a humanização não é ter um parto natural, é a mulher ter o parto dela do jeito que ela quer, com todas as escolhas dela respeitadas, e se alguma intervenção precisar ser feita, que seja autorizada e consentida por ela.

Essa experiência foi incrível. Perceber que você foi inteiramente respeitada é maravilhoso. Perceber que você não teve nenhuma intervenção desnecessária, nenhum corte, nenhum ponto, porque esse era o seu desejo, é incrível. Perceber que a sua filha não teve nenhuma intervenção desnecessária, mamou assim que nasceu, teve o cordão cortado pelo pai dela somente quando parou de pulsar, não foi aspirada, não teve colírio, não tomou complemento,  foi direto para o nosso quarto e ficou o tempo todo com a gente, é maravilhoso.

Perceber que você teve a experiência que você  precisava ter com a sua família unida é incrível, único, mágico e…indescritível. Obrigada equipe linda,  obrigada ao meu corpo, à mãe natureza, à minha filha que me ajudou nesta jornada, participando ativamente e ao meu marido que pariu junto comigo, me apoiando incondicionalmente. Obrigada à todos por me auxiliarem neste processo natural que é parir. Foi lindo e inesquecível! =)

Karina C. Neves

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2 respostas em “Karina, Marcelo e um pacotinho de amor chamado Pietra.

  1. Uaaaaal! Foi incrível Karina! Fico muito feliz que tenha conseguido juntamente com toda a sua equipe e o principal com o seu marido!! Que Deus continue os abençoando, e sei que vai, pois a Pietra já nasceu cheia de luz! Parabéns, você conseguiu o que muitos tem medo, receio, te admiro por isso, pela sua coragem!

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  2. Nossa!!! Cada dias mais me sinto forte, empoderada, incontrolável no sentimento de parir. Quero parir sim, naturalmente, quero que o meu filho, o meu Theo diga, mamãe é a hora, vamos lá!!! Obrigada por esses depoimentos maravilhosos que me estimulam a não desistir.

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