Thais e Gabriel em: Quando o Teo chegou!

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Quinta à noite, 15/01/15, Gabriel me escreve: Pode vir!!
Eu tava meio que esperando, mas quando chega a hora mesmo, dá sempre um friozinho na barriga… Ainda mais porque era a Thaís e o Gabriel, parceiros, amigos e
irmãos há muuito tempo nesta vida, e ter a honra de estar presente neste momento, me deixa completamente sem palavras e profundamente emocionada. Amigos, Eu amo vocês, não esqueçam nunca!

Bom, mas vamos ao parto, cheguei, já sincronizada com a Citra, a doula da Thaís, e quando entramos em casa, a Thais já estava começando a entrar no parto ativo,
com as contrações vindo à toda, mas tranquila. O Gabriel, super companheiro, não a deixou sozinha um momento, estava ali parindo junto, dando amor, suor e lágrimas! Literalmente!! A Citra, com suas mãos dava aconchego e alívio para aquelas dores. A Carol,o Fábio e a Aline, enfermeiros obstetras, com amor, força e clareza puderam ajudar a conduzir este parto da melhor forma. A Anaceli, também doula, que até o final não mediu esforços para ajudar em todo o processo. O Brahma ajudando demais com suas energias positivas, praticamente um doulo!! Rsrs e o Pequeno Kabir, que recentemente saiu da barriga da Citra, e veio ajudar a chamar seu novo amigo para as aventuras aqui do lado de fora…

Mas por mais que exista a presença da doula, da enfermeira, do marido, e de qualquer outra pessoa presente, esta é uma experiência incrivelmente solitária e avassaladora. É claro que eles ajudam, e são necessários, mas eles apenas dão suporte para que se possa ir ao encontro do desconhecido, sem tanto temor.

Pois este momento é a mulher com ela mesma, lidando com suas dores, com seus medos, sem poder postergar, ou delegar, e tudo depende dela, da disposição para encarar de frente tudo isso. E isto me marcou muito neste parto. Porque é isso, ao mesmo tempo que você precisa do apoio de quem está junto nesta viagem, tem momentos que só você pode se ajudar…Mas isto tudo faz parte do processo, e ao final a gente vê que tudo valeu a pena. Que junto com toda a dor, e seus medos, teve muita alegria, muito prazer e muito amor. E eu to orgulhosíssima da minha amiga, que passou por este rito de iniciação com uma tremenda garra, e não esmoreceu!

E o Teo chegou lindão e forte, no dia 16/01/15 às 14:28h, arrancando suspiros e sorrisos de todos ali presentes!

Teo Kachel Gabriel

Porém muito melhor do que o meu relato, segue o relato da Thais, emocionantíssimo!!

O parto do Teo.

Bom, para começar a relatar preciso contextualizar um pouco sobre o tipo de parto que escolhemos, para que vocês entendam melhor os detalhes.

Quando descobrimos a gravidez, já com 18 semanas, o meu feeling quando eu pensava no parto era fazer sozinha, só eu e meu marido Gabriel, fosse em casa, fosse em baixo de uma árvore, não importava o lugar. Bem bicho mesmo. Ora, entrou, tem que sair, não? A natureza sempre deu conta por milênios, por que não daria agora? Mas enfim, isso era só um instinto suave – de forma alguma passava na nossa cabeça negligenciar qualquer coisa que trouxesse risco ao bebê. Marinheiros de primeira viagem, ainda mantínhamos aquele discurso desempoderado que os cesaristas adoram: “é, caso esteja tudo bem, a gente encara um parto normal”.

Parto do pressuposto que quem lê está ciente do cenário obstétrico atual no Brasil. Em poucas palavras, a maioria dos partos (cerca de 80% nos planos privados e 50% na rede pública) acaba em cesáreas desnecessárias, quando o índice indicado como ideal pela Organização Mundial da Saúde é de até 15%. E isso se dá por diversos motivos: conveniência para os médicos marcarem o horário da cirurgia em sua agenda e gastarem menos tempo com cada mulher, receber mais dos planos de saúde por cirurgia, além de que poucos assumem que não sabem mais conduzir partos normais, pois o foco maior nas faculdades realmente é a cesárea (claro que não dá para generalizar, mas infelizmente isso também é realidade). Para saber mais, assistam ao filme O Renascimento do Parto, é um excelente começo para obter informação. Infelizmente, no Brasil, a cesárea deixou de ser uma cirurgia utilizada apenas em situações específicas e virou o procedimento padrão.

Além de querer fugir de uma cirurgia sem necessidade, queria também evitar as intervenções desnecessárias, em mim e no bebê, que ocorrem normalmente na maioria dos hospitais, seja qual for o tipo de parto. A natureza é sábia. Meu corpo foi feito para parir e o bebê foi feito para nascer – por que raios eu teria então que tomar hormônios para acelerar meu trabalho de parto e sentir contrações mais tenebrosas, ser cortada na vagina para o bebê passar “mais fácil” (leia-se mais rápido!), o bebê nascer num ambiente frio de ar condicionado, ser aspirado com canos que entram profundamente nas suas vias respiratórias, receber colírio sem precisar, não ir pro colo da mãe assim que nasce, etc etc etc? Não. Nosso bebê merecia nascer da melhor forma, com respeito, com paciência. E eu não estava doente, estava grávida. Minha gestação desde o início foi tranquila, sempre estive 100%, ativa, saudável. Queria um parto natural sim, mas acima de tudo, humanizado. Não tinha outra opção.

Tive que procurar muito até encontrar um obstetra que fosse a favor do parto natural e humanizado. A maioria dos que tinham me indicado já não aceitavam mais gestantes de tão lotadas que estavam suas agendas, outros não atendiam meu convênio e outros fui descobrindo que não eram tão humanizados assim. Mas enfim encontrei um e não podia ter sido melhor: Dr. Álvaro Silveira Neto, que indico demais! Desde o início falamos que nossa vontade era ter um parto natural humanizado e ele sempre nos apoiou e incentivou, sempre explicou tudo com muita clareza e honestidade.

Nesse meio tempo enquanto buscava um médico, eu e Gabri participamos de um encontro do Grupo Luar, um grupo de enfermeiros obstetras que atendem partos domiciliares planejados. Comentamos com o Álvaro que gostamos da ideia de parir em casa e ele topou ser o plano B, no caso de haver alguma emergência ou situação prévia que impossibilitasse o parto domiciliar.

Para parir em casa com segurança é importante que a mulher preencha alguns pré-requisitos. Isso varia um pouco conforme o grupo que te atende, mas no caso do Luar eram: estar saudável durante toda a gestação; o bebê estar de cabeça para baixo (cefálico), não pode estar sentado (pélvico); e ter o parto entre as semanas 37 e 42 – antes ou depois disso considera-se uma gravidez de risco e o mais adequado é ir para um hospital.

Esse era nosso plano finalmente, parir em casa com o Luar e ter o Dr. Álvaro como backup. Estava muito tranquila e bem amparada!

Thaís Kachel

Tudo correu bem até a 31ª semana, logo antes do chá de bebê, quando numa consulta de rotina descobrimos que o bebê estava pélvico. Na hora fiquei tranquila, pensei “bom, caso não desvire partimos para o plano B, sem problemas”, mas depois fui entrando numa crise. Me perguntava “por quê o bebê virou? Será que fiz algo errado? Deve ser alguma questão emocional, algum bloqueio, isso deve querer dizer alguma coisa, o que será?”. Chorei algumas noites. Minha cabeça não sossegava.

E aqui é o momento que eu digo para vocês que parto não é só vontade de parir e físico saudável. Se você tem qualquer questão emocional com você mesma, seu companheiro, sua família, RESOLVA. Urgente. O quanto antes. Não deixe para depois. Invista em uma boa terapia, em meditação, em auto-observação e total franqueza consigo mesma. Como diz a querida Maria Rita do Luar, “o parto cobra!”. E sim, cobra mesmo.

Um dia antes do bebê ficar pélvico, discuti feio com minha família. Naquela manhã senti que a barriga acordou diferente. Tinha a ver com isso, minha relação com meus pais.

Desde sempre imaginava o parto acontecendo em casa, mas na casa deles. Porque “ah, lá é bacana, espaçoso, tem banheira, né, a estrutura é melhor”. Não. Estes eram os motivos superficiais apenas. Agora eu vejo o quanto isso era a balela que encobertava a minha vontade de ainda não sair debaixo das asas deles, de ainda cumprir meu papel de “filha” (única, diga-se de passagem) e incluí-los no processo, ainda que forçadamente; de deixá-los perto para de alguma forma tranquilizá-los, mostrar que tudo ia dar certo, de que eles podiam aprovar minha decisão. E por favor, não sou contra incluir nossos familiares e tranquilizá-los, nada disso. O problema é que priorizando isso, eu não deixava espaço para me sentir uma mulher madura o suficiente para parir minha criança, para me tornar mãe.

Uma das minhas doulas, Citralekha, me sugeriu que o bebê poderia ter virado porque buscava mais comunicação comigo, queria deixar a cabeça mais perto da minha. Conversei bastante com o bebê, expliquei como vinha me sentido, que ele não precisava se preocupar com isso e que ele podia deixar para mim que eu lidava e resolvia (obrigada Laura Gutman, autora do livro “Maternidade: Encontro com a Própria Sombra”). Fui me conectando mais com ele, mas ainda num ritmo lento demais, eu diria. Quando as consultas semanais do Luar começaram, na semana 35/36, nosso pequeno já tinha desvirado. Ufa, assim o plano ainda seguia o mesmo!

As semanas foram passando e a gente super curtindo o fim da gravidez, passeando, fazendo desenhos na barriga, tirando fotos… mas nenhum sinal de que o bebê estava vindo. Às vezes a sensação era até de que a vida estava como antes, sem bebê na porta. Estranho. Desconexão aumentando. Como disse lá no começo, se passasse de 42 semanas eu perderia o parto domiciliar com o Grupo Luar. Tranquilo, iria pro hospital com o Dr Alvaro, mas putz. Já começava a me coçar.

Só nos finalmentes, depois de vários tapas na cara sutis, daqueles-que-só-apanha-quem-quer – e eu queria!!! – vindos do obstetra, das doulas, do pessoal do Luar, da querida terapeuta Lourdes (que me atendeu numa única sessão já com 41 semanas, num domingo) e do meu marido foi que mudamos de ideia e decidimos parir na nossa casa, nosso apezinho no meio do centro da cidade, pequeno como é, com a vizinharada ouvindo, sem banheira, no seco. No nosso Lar. Afinal, qual o sentido de um parto domiciliar se a casa não é sua? Se, de verdade, você não está em casa, onde quer que esteja – principalmente dentro de si mesma?

Nessa última semana fizemos tudo para nos conectar mais e mais com nosso filhote e induzir naturalmente o trabalho de parto. Preparamos com todo amor seu cantinho, suas coisas, limpamos a casa para recebê-lo. Montamos um altar e fizemos orações e mantras todas as noites. Tomei o chá da Naoli Vinaver. Nos amamos muito, para liberar ocitocina. Caminhei bastante todo dia. Evitava falar com qualquer pessoa, me fechei no ninho. E a última e poderosa cartada: tomei óleo de rícino, um poderoso laxante que auxilia a engrenar as contrações do útero.

Um adendo importante: estávamos com os horários zoados, rotina bem livre, trocando o dia pela noite. Na madrugada de quarta para quinta saímos para dar uma volta e comparar o óleo de rícino na farmácia 24h. Voltamos para casa e decidimos não dormir, para poder regular os horários e ter sono à noite. Às 9h da manhã de quinta tomei o óleo, achando que não ia surtir efeito assim tão logo. Tive pródomos o dia todo, sendo que algumas vezes doía e eu não sabia se era dor de barriga do laxante ou de contração que começava. Lá por 17h, 18h meu trabalho de parto começou.  “Putz… devia ter dormido, cara…”.

Início de trabalho de parto, mulherada geralmente feliz e confiante, animada, conseguindo curtir a dor cabulosa de cada contração. Assim eu estava, controlando os intervalos entre uma e outra com meu amado, observando com atenção o que acontecia. A dor era uma dor sólida, como se meu corpo se enchesse lentamente de terra, de baixo para cima, até o alto da barriga, virasse pedra por alguns instantes e então se desmanchasse como um castelo de areia no vento. Lindo. Estava feliz. Era logo que saberíamos se quem vinha era o Teo ou a Flora, era logo que veríamos seu rostinho.

Meia-noite. “Amor, tá tenso. Liga para todo mundo.” E veio todo mundo: Carol enfermeira do Luar, Marcinha amiga fotógrafa, Citra doula com seu filhote de 7 meses Kabir e seu marido Brahmarsi, Anaceli doula. O ape ficou pequeno, mas galera se adaptou. Revezavam-se para me cuidar e descansar na sala, estilo acampamento. Estava com uns 6 cm de dilatação. Lembro que pensei “acho que lá pelo amanhecer o bebê nasce”.

A cada contração a dor se intensificava e fui virando bicho. Patada no marido, patada na doula, patada em todo mundo. Os gritos foram ficando cada vez mais fortes e altos, cada vez mais “foda-se os vizinhos”. O nome Partolândia sempre me remeteu a um mundo similar ao do Candy Crush, todo colorido, mágico, sem tempo, doce. A minha Partolândia foi se mostrando meio escura. A trilha sonora não era Maria Bethânia “Debaixo D’água”, tava mais para “Verão” do Vivaldi. Sensação de vítima tomando conta. Para onde estava indo a mulher empoderada que batalhei para me tornar? O que estava surgindo ali, uma menina com medo? A menina filha? Pensando em desistir, pensando em sair daquela situação apertando um botão mágico chamado cesárea?  E quando começava a mentalmente entregar os bets, a Carol me falava com toda firmeza: “Thaís, você vai parir este bebê!”, e meu gás voltava um pouco. Um momento super significativo foi quando meu prendedor de cabelo caiu no chão e eu pedi toda chorosa pro meu marido “pega para mim e prende meu cabelo?”, quando a Carol interrompeu enfática “não Thaís, abaixa e pega você, prende você teu cabelo”. Obedeci e me senti realmente capaz. Eu estava bem afinal! O que me estragava era perder o discernimento entre dor e sofrimento. Estava escolhendo sofrer. Estava cada vez mais tenso, estava saindo do controle, estava começando a pairar a dúvida se realmente eu ia dar conta.

Carol saiu de manhã e vieram Aline e Fábio, também do Grupo Luar. 6h da manhã, estava com 9 cm. “Puxa, não nasceu no amanhecer”. Algumas horas depois, ainda com 9 cm. Mais algumas horas, ainda 9 cm. “Pqp, travei em 9 cm! Senhor do céu, por quê?!” Ali me dei conta de que eu mesma ainda não via meu bebê nascendo. Como assim, no meio, ou melhor, quase no fim do trabalho de parto, como eu não via meu bebê nascendo? Era nublado, talvez a desconexão fosse tanta que parecia que não estávamos juntos no processo. Eu sentia que toda força que eu fazia a cada contração e que todos os métodos naturais de indução que fizeram efeito talvez estivessem apressando ele a vir, e ainda, talvez não tivesse surtido efeito em mim, na mãe que também nascia. Peço que nessa parte vocês não queiram explicações muito lógicas, é difícil tentar ser linear nesses sentimentos e lembranças todas. Nessas horas em que parei com 9 cm, Aline e Fábio fizeram de tudo para me ajudar.

No revezamento seguinte do Grupo Luar, a Aline saiu e a Carol voltou. Lá pelas tantas, em torno de 13h e pouco, alguém comentou com ela que minha mãe estava desesperada e já era a quinta vez que ela estava ligando para saber se tudo corria bem. Pronto, ela chamou meu marido e disse: “ela precisa falar com a mãe dela Gabriel!”. Quase bati nele quando ele veio me pedir para ligar para minha mãe. “Tá bem loco? Como que eu vou falar com ela desse jeitoooo aaaAAAAAARRRRRGGGGHHHH HHNHUUUUUUUUURRRRRGGGGGGGGGGHHHHHH HHHHAAAAAAAAAAAAHHHHH Hhhhhhhha aaaa, hein, como?” Ele me olhou profundamente e eu reconheci que precisava fazer aquilo, mesmo sem entender direito o por quê era preciso.

No intervalo entre uma contração e outra pedi o telefone com urgência e falei com toda energia, com todo o meu coração e as palavras que saíram naturalmente da minha boca foram: “Mãe, eu estou bem, estou sendo muito bem amparada e está tudo certo, você não precisa se preocupar. Mas pelo amor de Deus, eu preciso que você faça sua parte. Eu preciso que você me visualize parindo esse bebê, mãe. Eu preciso que você me enxergue uma mulher capaz de dar a luz. Por favor! Faça sua parte! Eu te amo! Tchau! – Tó. Pega esse celulaaaaAAAGHH…”.

Gabri saiu do apê e trocou mais uma ideia com ela e depois de alguns minutos, voltou e viu que a cabeça do nosso filhote já se mostrava. É, fluiu rápido assim. Depois do que falei para minha mãe, recobrei minha força. Eu também precisava me visualizar parindo. “Agora vou até o fim nessa parada!”.

Entrei num expulsivo que na minha cabeça durou horas. Contrações fortíssimas, que quando no seu ápice, eu tinha que atuar fazendo mais força, toda força que eu conseguia, e quando parecia que não dava mais para fazer força, tinha que fazer ainda mais. Conheci meus limites. Parecia que ia virar do avesso, que ia me rasgar inteira. A cada odisseia dessa, o bebê descia um pouco e voltava paraticamente tudo, no seu processo natural de vir gradativamente. De novo contração, fazia força, fazia de novo, e de novo. Eu tinha que escolher sentir essa dor, eu tinha que querer ela. Tinha que me entregar praquilo que era completamente contraditório. Tinha que me abrir, forçar me abrir, forçar mais! “Mais, vai!” Fogo, sensação de ardência, de queimação, de rasgação. Círculo de fogo, totalmente meu rito de passagem. “Não recue agora, vai, mais!” A cabeça saiu por completo! “Minha nossa, já era, daqui não volto mais, só falta o corpinho e pronto, não acredito!” A última contração, as últimas forças e re-forças e re-re-forças, mais fogo, mais ardor, mais limites sendo conhecidos. Dei tudo!

14h28. Veio o Teo! No dia que fiz 42 semanas, o último dia para que ele pudesse nascer em casa.

A sensação mais marcante do parto é a de que ele não apenas nasceu, mas que eu tive que “nascer” ele. Eu tive que pari-lo ativamente a cada minuto. Eu tive que, a cada vacilada, lembrar que eu não queria mais os papéis da vitima, da protegida, da menina (que de alguma forma me beneficiava, senão não seria tão difícil abandoná-los); mas sim que eu queria ser mãe, poderosa, forte, mulher. Eu tive que me nascer. Do início ao fim, tudo foi escolha.

O saldo: praticamente 21h de trabalho de parto; uma laceração tranquila que cicatrizou sozinha; 3,4 kg e 50 cm de um pacotinho de vida delicioso, saudável, apgar 9/10, sem intervenções; todo respeito que eu podia sonhar em ter no momento mais forte da minha vida.

A luta pela humanização do parto é coisa muito séria. Não é coisa de pessoas que se encaixam nos estereótipos de hippie, alternativo, só para ir contra a maré. A mulher merece atravessar este momento com todo apoio e respeito possíveis na face desse planeta, afinal, ela esta trazendo uma vida! O quão grande e importante é isso?! Seja qual for a opção da mulher, ela deve ser respeitada e apoiada! E infelizmente, às vezes o meio é cruel. Clichês, médicos que compactuam com esse sistemão, falta de apoio de quem está perto, desinformação – tudo isso rouba a escolha da mulher. Empoderada, uma palavra super na moda nesse meio, mas é isso que a mulher tem que ser. Ou melhor, tem que se descobrir, pois lá no fundo já carregamos essa força em nós.

Agradeço a todos e todas que fizeram parte dessa minha caminhada e contribuíram para esse desfecho, especialmente:

Queridas doulas Ana e Citra, vocês foram essenciais para que eu pudesse me informar ao longo de toda a jornada; para que eu pudesse me conhecer mais e mais durante a gestação; para me sentir cuidada e protegida, o que é tão importante para uma grávida. Ana, tua doçura, delicadeza, tuas dinâmicas para lidar com meu lado subjetivo.. Citra, teu conhecimento, tua disponibilidade, teu jeito perspicaz de não deixar nada passar… Vocês tornaram minha gestação e parto muito mais belos e especiais. O acolhimento e doação de vocês foram maravilhosos.

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Grupo Luar, cada um de vocês foi essencial para que eu pudesse me questionar e crescer; para me motivar na hora do “vamo ver”; para me sentir segura, com todo seu profissionalismo; para enfim me sentir em casa. Vocês confiaram em mim, respeitaram meu tempo e meu processo, e isso não tem preço que pague. Maria Rita com tua firmeza, tuas falas de poder, você me resgatou de um limbo e me ajudou a criar coragem para encarar meu parto com dignidade; tua indicação para a terapia foi salvadora! Aline com tua calma, tuas sugestões no fim da gravidez para realmente ir na terapeuta e para tomar o óleo de rícino, todas as tuas ações durante o parto para me ajudar, sempre me incentivando e tranquilizando, minha gratidão é imensa. Fabio, teu jeito divertido, quantas risadas nas consultas pré-parto.. e quando precisei você me deu tua mão, tua força e tuas palavras,  e como isso me foi importante! Carol, você foi como que minha treinadora, não me deixou cair um segundo, me motivando incansavelmente; o que teria sido de mim sem você lá?  A sensibilidade de todos vocês é fascinante. O trabalho de vocês é divino. Vida longa a vocês!!!

Dr Álvaro, você foi essencial para que eu pudesse me sentir em terreno firme; apoiada e incentivada desde a primeira até a última consulta, já com 41,4 semanas, quando me disse que a próxima vez que eu falasse com você seria para contar que o bebê nasceu. Tua ética é inspiradora.

Querida Lourdes, você foi essencial para que eu pudesse entender melhor a dinâmica da minha família e me libertar do que já não me servia mais. Acho que sem tua ajuda, teria travado já em 1cm. Tua clareza foi impressionante.

Brahma, você foi essencial para segurar a vibração aqui no apezinho com tuas maravilhosas orações. Muita gratidão! E Kabirzinho querido, tenho certeza de que sua presença aqui ajudou o Teo a querer nascer, para ainda brincar muito com você nessa vida!

Marcinha, você foi essencial não apenas como fotógrafa, nos presenteando com o registro desse momento da nossa vida com teu olhar lindo e sensível; mas também como amiga, sempre aqui para nós, sempre pronta. Você me ensina muito, hermanita.

Mãe, você foi simplesmente essencial. Nossa caminhada juntas ainda vai nos ensinar muito, assim como nesse parto. Gratidão por atender meu pedido do seu jeito carinhoso, por ter dado seu melhor. Te admiro e te amo muito.

Gabri.. o que dizer, meu amado? Você gestou comigo e pariu comigo. Você é a definição viva de parceria. Você me ajuda a crescer e é um prazer absurdo compartilhar minha vida com você, as dores e as delícias. No dia que te acordei com um teste de gravidez positivo na mão dizendo: “Queri… estou grávida!”, e recebi esse teu olhar que me acolhe inteira, teu abraço amoroso e fomos comemorar com um chocolate quente.. que dádiva é essa nossa vida, meu queri! Obrigada por toda paciência, doação, privação, compreensão, durante toda gestação e parto. Pai do meu filho, minha família. Eu amo você.

Por fim, te agradeço pequeno Teo. Por ter vindo para a nossa vida. Por já ter me ensinado tanto. Por me dar a oportunidade de encarar minhas questões e crescer a partir disso. Por me fazer ser sua Mãe.

Que todas as mulheres possam escolher e que sejam sempre amparadas e respeitadas.

Thaís Letícia Kachel – 11 de fevereiro de 2015.

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5 respostas em “Thais e Gabriel em: Quando o Teo chegou!

  1. Emocionada lendo isso!
    Que bom saber q mais gente sente como eu. Do jeito q entrou tem q sair. Quero muito essa energia no meu parto. Vc me inspirou. Gratidão.

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